segunda-feira, 23 de junho de 2014

Diário de Arton - 13 de Weez de 1396

O DIÁRIO DE ARTON

Tiragem: 50.000.000 de exemplares * Periodicidade: Diária * Proprietário: Salini Alan * Editora-Chefe: Irina Van Veer
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Editorial: Reflexões sobre uma Guerra Evitável

Por Irina Van Veer

Yuden quis a guerra, mesmo sabendo que yudeanos morreriam. Sangue, horror e morte para nada, a pretextos falsos. Não precisava, jamais, ser assim. Yuden tem espaço amplo, tem seu próprio domínio. Milhões de tibares são gastos em guerra, terror e morte, na eliminação do outro. Yuden poderia gastá-los para melhorar sua vida, para criar coisas, com sua organização. Tanto potencial desperdiçado por nada. Por uma atividade que não determina quem está certo, só quem sobra vivo. Se é que se pode chamar isso de vida.

Ainda assim, Yuden quis e conseguiu uma guerra formada com base em mentiras.

Para quê?

- - -

Opinião: Os Verdadeiros Heróis e os Verdadeiros Vilões
Por Jorus Silversong

(Retratos do grupo)

Em primeiro lugar, permitam que me apresente. Sou Jorus Silversong, filho de Galtan Silversong, cronista dos Aventureiros de Arton e vítima de Yuden.

Sim, leitor, Galtan Silversong, junto com milhões de outras pessoas, é vítima de Yuden. Nessa hora, deverá estar preso, torturado, talvez morto. Yuden, em sua intimidação, no medo que causa, conseguiu tentar transformar heróis em vilões, conseguiu a guerra que queria, conseguiu forçar pessoas a atacarem gente bondosa por nada.

Não mais. Meu pai não quereria que eu fosse intimidado.

É chegada a hora de acertar as contas com a história, de fazer a verdade aparecer.

Yuden comprou a Gazeta de Arton e, por isso, esse pasquim que o jornal em que meu pai trabalhou todos esses anos se tornou vem publicando mentiras e aumentou sua tiragem. Então, antes de qualquer outra coisa, saibam bem disso: Yuden matou meu pai para sufocar a verdade e comprou a Gazeta de Arton para espalhar mentiras.

A realidade é outra. Tudo aquilo que meu pai escrevera de bom sobre os Aventureiros era a mais pura verdade. Eles salvaram o mundo de Sartan, salvaram o Reinado do Lorde Enxame. São conhecidos como heróis em Petrynia, reverteram a transformação de um bardo. Tudo aquilo. Tudo e muito mais. Leitor, eu entendo que salvaram o mundo é algo grande demais para as pessoas. As pessoas pensam em suas vidas, afinal, suas famílias, o mundo é enorme. Então, vou ser mais específico.

Leitor, os Aventureiros de Arton salvaram o mundo. Salvaram o seu país. Salvaram a sua região. A sua cidade. A sua rua. Sua safra, seu gado, seus mascotes, suas plantas. Suas coisas favoritas.

Salvaram a sua família. Sua mulher, seus filhos, sua mãe, seu pai, seus irmãos.

Salvaram você.

Leitor. Marco a frase acima dessa forma por um motivo. Você deve sua vida aos Aventureiros de Arton. Que isso fique bem claro. Essas pessoas retratadas acima, leitor, salvaram sua vida. Lembre-se sempre disso.

Continuando, após a derrocada de Lorde Enxame, cantada com surpreendentemente poucos exageros pelos bardos de Petrynia, foi o momento em que Yuden surgiu. Começou antes, com uma ocasião diplomática em Valkaria. Um anão havia visitado a sede dos Aventureiros de Arton, precisando de ajuda. A espada de Khalmyr, Rhumann, havia sumido. Havia sido roubada. E o deus da justiça estava despejando sua ira sobre os anões, na forma de uma doença que quase exterminou a raça, não fosse a intervenção dos Aventureiros de Arton. Mas eu me adianto.

Um clérigo anão de Khalmyr os visitou, dizia eu. Disse-lhes que procurassem a espada. Após várias investigações que os levaram pela Favela dos Goblins até a casa abandonada de um nobre e passando pelo Protetorado do Reino de Deheon, descobriram que o assassino Camaleão, contratado por Mitkov, a havia roubado para – tudo indicava – atacar o Rei Thormy. Para proteger o rei e para reaver a espada, esses heróis se juntaram a sua guarda pessoal. Foi quando, disfarçado de Artemis, o Camaleão fez seu ataque – contra o rei de Yuden, pai de Mitkov!

“Ora!” – perguntará o leitor – “Mas por que Mitkov faria isso?”

Simples.

Mitkov conseguiria o trono de Yuden, um bode expiatório e uma desculpa para a guerra. E foi o que obteve. Mitkov pagou por um regicídio. Pagou para que Camaleão matasse seu pai, com o intento de iniciar uma guerra que sempre quis. Deheon tentou fazer as investigações corretas, claro, e as fez. E, obviamente, chegou a essa mesma conclusão. Mas Deheon preferiu, claramente, tentar apaziguar Yuden. Preferiu e ainda prefere, mesmo considerando-se que Yuden sempre preferirá a guerra, o sangue e a morte.

Mas, continuando. Os Aventureiros não conseguiram impedir o parricídio por parte de Mitkov, mas perseguiram o Camaleão e recuperaram a espada, salvando toda a raça anã de uma morte horrível nas mãos de seu próprio deus.

Após alguns meses de festejos e honrarias em Doherimm, os nossos heróis voltaram para os eventos de Lorde Enxame, já tão retratados pelos bardos: fizeram uma expedição acompanhados da misteriosa e bela Raven Blackmoon até o ninho de Enxame e resolveram o problema que, deixado por sua própria conta (Nota de Kaylan: Thormy, talvez, estivesse um pouco ocupado num banho calmante de ervas com Mitkov para prestar atenção a esses problemas) iria matar o Reinado de fome.

Isso são duas vezes, leitor, em que eles salvaram o mundo, mas, aparentemente, para Yuden, isso não basta. Para Deheon, isso deveria bastar.

Após derrotarem Lorde Enxame, foram ao rei de Petrynia. Lá, encontraram Leônidas Stonger. Se esse nome lhe é familiar, leitor, é porque esse idiota é o mais novo editor da Gazeta do Reinado, que deveria ser mais conhecida por Mentiras sobre os Aventureiros de Arton.

Leônidas tentou impedir os aventureiros de Arton de terem sua justa recompensa e fazê-los serem presos para servirem de bode expiatório para Yuden, mas Set tinha outros planos. Deu um verdadeiro baile de argumentação no yudeano, que, perdendo a cabeça, investiu contra Set com uma espada. Após encorajamento de Rui e de outros, o rei de Petrynia sentiu no sangue seu ancestral Cyrandur Wallas e expulsou o idiota yudeano de seu palácio. Mas, logo depois, chegou Luigi Sortudo, pedindo a ajuda do grupo para reaver Rhana, que fugira para não se casar com Mitkov, pelo que eu não a culpo nem um pouco (Rhana não comprou a xana de uma cigana - Nota de Kaylan).

O grupo odiara essa tarefa, mas Yuden mantinha os outros aventureiros reféns e só os libertaria se a paz fosse celebrada (Ou: após a destruição de Yuden – Nota de Kaylan). Set e os outros decidiram que falariam com ela e, de qualquer forma, a libertariam de Triumphus, da Bênção-Maldição. Fizeram, como se sabe agora, muito mais do que isso. Sim, leitor, eles libertaram Rhana. Libertaram, também, toda a Triumphus e a salvaram de um horrível ataque yudeano à traição. Mas isso ficará para amanhã. Pois hoje, leitor, quero que tire esse tempo para se lembrar disso.
Os Aventureiros de Arton salvaram sua vida e a vida de cada pessoa que você ama. Duas vezes. Ou mais.
Eles merecem um agradecimento muito melhor do que têm recebido de Deheon e de Yuden. E de várias outras figuras tão distintas – e tão iguais! – quanto Talude e Vectorius.


Tou Querendo Ver Como Vão Explicar Isso em Kannilar!
Por Kaylan Tartwig

Daí, gente boa! Aqui quem fala é Kaylan Tartwig, o único palhaço tão respeitável quanto seu público! Hahaha! E a gente começa bem! Teve FESTA! Churrascão da gente diferenciada no meio da batalha! A vingança veio de Móock! E a gente achava que ele só tava lá para torrar a gente! Hahaha! Ace, montado no passarinho bonitinho, mais Set, Drik e Salini, montados em outros três passarinhozinhos bonitinhozinhos (eram menores, ora!), venceram a batalha contra um monte de soldados bem treinados da gloriosa nação de Yuden! UM DÉCIMO!!! Foi um décimo das forças deles nessa brincadeira! Eles literalmente dizimaram os yudeanos! Cento e setenta e seis mil! Agora quero ver como vão explicar, porque deixar claro que os soldados caíram para quatro pessoas, o Mimimitkov NÃO VAI! Aposto uma noitada na Casa dos Prazeres nisso! Aí vão algumas sugestões para ele dizer aos yudeanos! A palavra do Mimimitkov é LEI, né? LEItão! Já viram a barriguinha dele? Hahaha!

- Foram ocupar Lenórienn a pedido da Aliança Negra, que tinha ido ao banheiro.

- Sentiram inveja da Aliança Negra de Ragnar e foram formar a Aliança Vermelha.

- Foram criar dezesseis mil times de futebol, esse novo esporte que o Set lançou.

- Estão presos em um campeonato interminável de porrinha com halflings.

- Foram passar uns dias em Pyra e só vão voltar daqui a alguns anos.

- Foram engolidos pelo Buraco de Joshariff, em Nova Ghondriamm.

- Estão presos em uma disputa que não acaba para ver quem é mais macho.

- Talude os encolheu e os botou no bolso.

- Dois terços se assumiram e se juntaram e o outro terço foi procurar mulheres. (Homenagem a Irina!).

- Ouviram sobre os Aventureiros de Arton, decidiram se juntar e criar quarenta e quatro mil grupos de aventureiros (Homenagem a Jorus!).

Pode usar qualquer uma delas, Mimimitkov, eu deixo! Mas tem que pagar direitos autorais, porque eu vejo minha piada como um pai vê um filho! Opa, pera, mau exemplo no seu caso, minhas piadas não vão contratar nenhum assassino para dar cabo de mim! Hahaha! Bom, talvez elas te aborreçam e VOCÊ faça isso, mas eu estou em Triumphus, então, paga uns dez ou doze, viu? Hahaha! 

Parece que certos regentes tomaram Achbuld no café da manhã!

Gênese do Diário de Arton

“Ah, isso é ridículo...” - Resmungou Salini Alan.

A segunda edição da Gazeta do Reinado, depois de tomada, Salini não se importava como, por yudeanos, não era melhor que a primeira. Salini pausou um instante e pensou.

Talvez seja uma ideia...

Foi até o templo de Irina.

- - -

“Ora, ora. Salini Alan. Não imaginava você vindo aqui tão rápido...” – Disse Irina, agradável.

Salini passou a ela um exemplar da Gazeta.

Irina suspirou.

“Não preciso ler para saber o conteúdo. Mas por que veio aqui?”

“Quero saber se você, que é tão bem informada, sabe onde está Galtan Silversong, o antigo editor...” – Disse Salini – “Pois vou fundar um novo jornal. Ele será diário e de circulação por todo o Reinado...”

Irina sorriu de leve.

“Ora, ora... E o que é que o grande comerciante Salini Alan, o grande mago ambicioso que só se importa consigo mesmo, ganha com essa empreitada, pergunto eu...”

“Ora, não é óbvio? A Gazeta se tornou um lixo. Posso preencher esse mercado e divulgar coisas em meu favor!”

“Mesmo? E publicará coisas em favor dos Aventureiros de Arton?” – Perguntou Irina, ainda sorrindo, divertida.

“Ora, por que não? Eles são notícia e ajudaram Triumphus, aqui são bem-vistos!” – Respondeu Salini.

Irina sorriu.

“E só por isso, Salini Alan?”

Salini Alan finalmente cruzou os braços.

“Ora, eu não preciso lhe explicar meus motivos. Você sabe ou não? Pago por essa informação.”

“Fique com seu ouro, pois Galtan Silversong está em Yuden. Preso. Torturado. Talvez, morto.” – Disse Irina, suspirando.

“Droga...” – Salini parecia triste.

“Parece um pouco desolado demais para uma questão de negócios. Gostava muito do estilo de escrita de Galtan Silversong?”

“O quê? Ora... Claro que não." - Salini se recompôs, disfarçando a preocupação - "Mas precisarei achar outro editor..."

“O filho dele seguiu os passos do pai.”

“E é bom?”

“Por que não pergunta a ele?” – Perguntou Irina – “Jorus! Kaylan! Chegou a visita que eu previa...”

“O quê...”

Irina sorriu de leve.

“Ah, Salini Alan... Você vai explicar o que fez e fará pelos Aventureiros como quiser. Mas... Bom, talvez você tenha gostado deles, não é? E, talvez, a fala de Set sobre sua grande e magnífica cidade tenha te dado aquela coceira que os comerciantes têm... Eu calculava que isso fosse ocorrer. E sabia que Jorus Silversong precisaria de proteção contra Yuden... Ao mesmo tempo, eu sabia que você faria algo assim. Pois um comerciante como você sabe o valor de uma reputação. E um mago que conhece aventureiros como você sabe que eles nem teriam tempo de enfrentar as mentiras de Yuden..."

“Minha senhora, eu só estou realizando um investimento!” – Disse Salini Alan, como que ofendido pela ideia de que ele não fosse apenas um comerciante a trabalho.

“Claro, claro...” – Disse Irina, sorrindo de leve - “Eu tomei a liberdade de separar um espaço para os escritórios no templo. Claro, haverá mais estrutura e outras coisas que você precisará providenciar, até fora da cidade, para o Diário de Arton ser enviado por teleporte para as principais cidades e capitais... Ah! Eis o nosso jornalista e nosso cronista de humor.” 

Salini Alan não notara que Irina havia acabado de batizar o jornal.

Jorus Silversong era um ruivo com um olhar que misturava curiosidade e revolta.

“Eu pesquisei sobre os Aventureiros de Arton..." - Ele disse – “E eu sei o que Yuden é e o que representa...”

Kaylan Tartwig tinha cabelos castanhos e um sorriso um pouco grande demais para o rosto, desses que mandariam homens sãos correndo para as colinas.

“E eu consigo ser muito, mas muito irritante quando quero!”

“Olhe só. Temos nossos cronistas.” – Disse Irina, sorrindo de leve – “Agora... Posso convencê-lo, Salini Alan, até por estar cedendo espaço, a ter minha pena nesse jornal? Eu já tomei a liberdade de pesquisar algumas outras funções...”

Salini Alan olhou Irina.

Decidiu que ela seria uma excelente ajuda para esse empreendimento. Apertou as mãos de sua nova diretora de jornalismo e de seus novos cronistas.

“Sabe, Salini... Set estava errado. Ele me disse uma vez que tem mais gente disposta a mover céus e terras para prejudicá-lo do que gente disposta a mover uma palha para ajudá-lo.” – Disse Irina, sorrindo – “Vamos... surpreendê-lo?”

Salini sorriu.

“Providenciarei para que a primeira edição caia em suas mãos.”

“É mesmo? Isso não te custará dinheiro?" - Perguntou Irina, sorrindo.

“Ora!” – Respondeu Salini, novamente como que ofendido pela ideia de que ele se importava – “Consigo esse valor em segundos!”

Irina riu.

“Ah, Salini Alan. Jura que não se importa, mas sorri com a ideia de surpreendê-los. Nunca mude, sim?”

Beijou o rosto do mago, que corou como um pimentão, e foi passar recomendações a sua rede de informações de Triumphus – e recomendar a eles planos para expandi-la.

O repórter foi fazer suas pesquisas.

Salini Alan foi providenciar o encantamento de algumas prensas para providenciar o que seria uma tiragem colossal. Yuden, afinal, havia insultado sua inteligência, Deheon havia ferido seu orgulho e essa ideia tinha lucros potenciais imensos e Salini, afinal de contas, não era de fazer as coisas pela metade. Faria uma tiragem imensa por conta disso, pois era um comerciante, um mago poderoso, e se tornaria um magnata das comunicações, e tiraria esse pasquim que a Gazeta se tornara de cena.

E, enfim, uma miríade de razões para racionalizar o fato de que se importava.

No fundo, no fundo, jamais admitiria isso para si, mas se sentia extremamente vivo.

E ainda com o rosto quente depois do beijo de Irina. Mas isso, por enquanto, atribuíra ao calor.

Os Aventureiros de Arton - Especial do Diário de Arton I

Vários Autores

A fim de facilitar nosso trabalho e de evitar problemas advindos de Yuden para cada jornalista em separado, esse texto é um composto de vários jornalistas, anônimos para protegê-los de represálias. Cada um deles cooperou na busca pela verdade sobre esse controverso grupo. A maior parte das coisas que Galtan Silversong havia escrito, excluindo-se o que ele próprio disse ter escutado de fontes mais duvidosas, bate com os fatos. Então, continuaremos a história desse grupo tão controverso.

Após um incidente com Vectorius cujas motivações permanecem pouco claras, porém parecem ter envolvido uma altercação iniciada por Rui, o bardo do grupo, após o momento em que Vectorius iria agradecer ao grupo por ter resolvido uma questão com o Grêmio dos Médicos Monstros, o grupo foi expulso de Vectora pelo mago. Desolados, com Set e Artemis furiosos com Rui (Ace, naquela hora, estava morto), foram enganados por alguém que se disfarçou de uma pessoa que tinham ajudado. Correm boatos de que essa pessoa seria o Camaleão, que se tornaria um incômodo frequente para o grupo no futuro. O fato é que eles foram derrubados e levados para uma caverna próxima a uma vila em Deheon, a vila de Luvian, onde encontraram meses de suplício nas garras do dragão negro que haviam combatido antes, Arkham. O que aconteceu no covil do monstro, exatamente, os próprios aventureiros se abstiveram de dizer, mas o fato é que, após um grupo de aventureiros invadir o covil, Arkham tentou se manter com eles os agarrando enquanto fugia. Foi nocauteado no meio da fuga, derrubando os aventureiros, que só não foram ao chão porque o clérigo e único sobrevivente do grupo em questão havia conjurado bestas aladas para levá-los suavemente. Os aventureiros chegaram ao solo em Maranata, uma vila entre Valkaria e o Pântano dos Juncos, interrompendo, sem querer, o casamento de um comerciante local. Lá, tiveram suas feridas físicas e psicológicas curadas por uma clériga de Marah, e receberam roupas e alguma ajuda para se reerguerem.

O descanso, dizem as fontes, durou pouco. O grupo viu o Circo dos Irmãos Thiannate chegar à vila, carregando ninguém menos que seu carrasco desses meses todos, Arkham, o dragão negro. O dragão estava dormindo por obra de magia, mas o grupo bem sabia o que poderia ocorrer se acordasse.

No mesmo dia em que o Circo dos Irmãos Thiannate chegou à vila, um beholder, um monstro de onze olhos, apareceu, causando pânico na população. Ace, de alguma forma, percebeu que o monstro na verdade era Torinks, um bardo transformado por uma maldição, e foi, com parte do grupo, ajudá-lo. Set, aparentemente, estava entretido em tentar garantir a segurança da vila contra o dragão, pois foi até o local onde o circo estava e tentou avisá-los. De acordo com fontes fidedignas, Set encontrou lá Sean Cavendish, que ainda não havia se revelado como o assassino frio que todos conhecemos e como parte do Grupo do Mal, e que lhe deu um ingresso. O apelido de “Oráculo” do mago aparentemente se justificava ali, pois, de acordo com testemunhas, Set teria voltado do circo com os nervos em frangalhos e murmurando para si mesmo “(Expletiva removida pela editora), eu encontrei o Sean Cavendish e estou vivo!” repetidas vezes, mesmo bem antes de Cavendish revelar sua natureza ao resto do mundo. Aparentemente, ao menos na época, Set acreditava que Sean Cavendish era perfeitamente capaz de matá-lo. (Nota da Editora: Magoor nos visitou e afirma que isso será o tema de uma suprema ironia daqui a alguns dias. Portanto, os leitores já ficam de sobreaviso. Nota de Kaylan: Diário de Arton: compre hoje para saber as notícias de amanhã!)

Após esses eventos, Set trocou o ingresso com um mensageiro pelo envio de uma mensagem a Talude, o Mestre Máximo da Magia. Aparentemente, Set pretendia negociar informações a troco de ajuda por parte da Academia Arcana. Quando Set voltava dessa empreitada, deu com os membros da guarda de Maranata indo à caça do "monstro". Convenceu-os a deixar um destacamento na cidade propriamente dita, pois temia o que aconteceria se o dragão se libertasse, e foi, junto com o xerife, atrás de Ace e Torinks.

Voltando a Ace e a Torinks, Ace, Artemis e Rui seguiram o confuso bardo-beholder até a caverna onde ele teria sido transformado, mas não sem antes passar por vários outros eventos, nos quais, por sinal, reencontraram Set. Ace e Torinks seguiram por diversos caminhos aleatórios guiados pelo bardo. O grupo se reencontrou e o mal-entendido foi desfeito. O bardo-beholder os “guiou” até um templo antigo, o templo do deus sapo no Pântano dos Juncos. Lá, entraram e lutaram contra um catoblepas, monstro com olhar que transformava seus oponentes em homens-sapos. Após luta renhida, na qual eles próprios foram transformados, mataram o catoblepas e, após algum tempo de caminhada, voltaram ao normal. Passaram por uma floresta, onde encontraram dois habitantes (o repórter que acompanhava esse evento noticiou que são extremamente gentis, CONTANTO QUE não se fira os animais. Pediram que os seus nomes não fossem revelados. São vegetarianos e fazem bons legumes grelhados). Nessa ocasião, Ace encontraria Vulkar no que parece ser uma constante para o paladino de Thyatis: a redenção. Uma mantícora que era antiga inimiga dos dois habitantes da floresta os visitou durante a noite, acompanhada de mais monstros, entre eles um lobo invernal. A batalha foi curta: o grupo rendeu os dois, com o lobo invernal, ferido em combate, sendo intimidado por Set a ficar quieto e com Ace usando seus talentos de ranger para conversar com ele. Esse lobo era Vulkar e se tornou, redimido, o companheiro e montaria do paladino de Thyatis. Finalmente, o grupo chegou à caverna onde Torinks havia se transformado. Lá, encontraram kobolds transformados em humanos pela mesma magia que transformara Torinks! Após tentativas de diplomacia e batalhas com esses kobolds, o grupo fechou a arca que havia transformado Torinks, transformando-o de volta. Como “indenização” ao líder dos kobolds, deixaram-no acompanhá-los. Ele se apresentou como Robson III, rei dos kobolds locais. Sua “suíte real” na futura sede dos Aventureiros de Arton parecia a toca ideal para um kobold, pelo que se dizia, embora o resto do local fosse perfeitamente limpo. Na volta desses eventos, Set recebeu a mensagem de que seu pedido para um encontro com representantes da Academia Arcana estava atendido. “Palavras não descrevem o alívio que apareceu no rosto dele.”, disse o xerife depois.

O grupo voltou a Maranata para uma surpresa terrível: um dragão maior, pelo visto o pai de Arkham, havia visitado a vila e, após punir severamente o filho, praticamente destruído o local. Os habitantes só sobreviveram porque o destacamento da guarda que Set havia convencido o xerife a deixar havia orientado os cidadãos a irem para o templo de Marah, onde estariam protegidos da fúria do dragão. Após receberem essa notícia, Set e o grupo rumaram a toda para Valkaria, pois temiam que o dragão voltasse a atacá-los. Foram recebidos pelo professor Vladislav Tpish, que os conduziu à Academia Arcana. Após alguma troca de informações que ninguém na Academia quis comentar para além da declaração “Sabe Vectorius? O mago que vive falando que a magia só deve ser dada a quem faz por merecer? Ele é um feiticeiro. Tirou a magia na sorte. Segredinho legal, né?” feita por Nereus, o sênior da água, Set e o grupo receberiam de Vlad e de Talude a sede dos Aventureiros de Arton em Valkaria, a guilda de aventureiros que fundaram e onde passaram seis meses em relativa paz até os eventos que, finalmente, os colocaram em conflito com Yuden.

Falta-nos o espaço para concluir o texto em apenas uma edição, mas podemos adiantar que os fatos levantados são bem diferentes daqueles descritos de forma tão, na falta de melhor termo, detalhada pela Gazeta do Reinado em suas duas últimas edições. Amanhã, daremos prosseguimento à saga desse grupo até agora: sua luta para preservar a espécie dos anões, seu esforço para evitar um regicídio, seu envolvimento com o Camaleão, com Lorde Enxame, com Leônidas Stonger e com Luigi Sortudo, o bardo do Rei Thormy.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

PEQUENO TRATADO SOBRE MUDANÇA

O Brasil de 2014 é um lugar no qual várias medidas podem ser tomadas para se prevenir uma 

gravidez indesejada. Pílulas anticoncepcionais (até mesmo a famosa “Pílula do Dia Seguinte”), 

DIUs, camisinhas, espermicida nas camisinhas, etc.

Set – João Lucas – sendo alguém de classe média, relativamente esclarecido e, portanto, 

familiar com tais procedimentos, nunca esperou, enquanto estava na Terra, ser um desses pais 

que fazem um filho em alguém e somem no mundo.

Claro, em Arton, as coisas são diferentes, e isso mesmo supondo que a parceira tenha qualquer 

interesse que seja em evitar uma gravidez, o que não é sempre o caso.

Isso explica a reação de Set na Taverna do Móock, lendo o jornal.

“Hum, parece que o jornalista finalmente está mais equilibrado em relação a nós. Espero que 

isso melhore nossa rePUTA QUE PARIU, EU TENHO UM FILHO!!!"

O termo que Set teria utilizado seria "reputação". Feliz coincidência.

“O quê??? Deixa eu ler isso!” – Disse Artemis. Passou os olhos no texto e começou a rir. – 

“Não acredito, Set! Você foi o primeiro de nós a ter um filho no meio do nada e sumir no 

mundo! Parabéns!”

Set estava um tantinho ocupado. A mente, muito "da Terra” ainda, pensava, no instinto, em 

coisas sobre como pagar pela faculdade do garoto, que nome ele teria e conceitos como divórcio 

e pensão alimentícia, conceitos que eram tão pertinentes para Arton quanto "magia dracônica" 

era para a Terra. Por enquanto, ao menos.

“Mas... Mas como??? Eu só fiquei com ela uma noite, e...” – Disse Set. Claro, Set ERA, 

obviamente, esclarecido o bastante para saber que uma vez bastava, mas essa reação era 

“...e bastou, Set.” – Disse Ace - “Mas... Como você explicará isso a Neruite?”

Set empalideceu.

“Er... Pera. Se o guri dormiu, ela sabia... Antes de mim.”

“Certo...” – Disse Rui – “Bom, isso vai levar algum tempo para melhorar nossa reputação, mas 

já ajuda, e muito.”

“Rui, desculpe se falo assim, mas estou pouco me fodendo para nossa reputação no momento..." 

- Disse Set.

“Bom, não teria esse problema se não tivesse muito fodido ELA...” – Disse Artemis, sorrindo 

um sorriso que Set, mais tarde, qualificaria como ‘sorriso de troll de Internet’.

“Artemis! Dá um tempo! Não tá vendo que ele tá abalado?” – Perguntou Ace – “Set... 

Calma. Respira. Vai ficar tudo bem. Você poderá visitar ele. E Neruite com certeza sabe e 

compreende.”

“Eu tenho um filho... Meu DEUS! Meu Deus... Meu DEUS!!!” – Era Set.

“Qual?” – Perguntou Rui, por instinto. Depois, lembrou – “Ah, certo. Vocês só têm um.”

“Er... Ok... Ok... Nada de pânico... Nada de pânico... Nada de pânico...” – Disse Set.

“Ele está entrando em pânico.” – Disse Rui.

Artemis foi mais direto. Gesticulou para a garçonete, puxou uma caneca de sua bandeja, enfiou-
a na boca do amigo e deu uma sacudida em sua cabeça.

“Ah! Caralho, quer parar com isso?” – Perguntou Set – “Er... Ok, eu precisava disso.”

“Tem graça, o sujeito que está enfrentando Yuden após ter vencido um deus ter medo de um 

bebê!” – Disse Artemis.

“Eu sou só um tradutor, Artemis... Eu sou só um... Droga... Eu sou só um tradutor...” – Disse 

Set – “Eu não teria coragem para enfrentar um bando de milicos de meu mundo e que não têm 

magia... Imagine Yuden, que tem!"

Artemis perdeu a paciência.

“Tá, e eu sou só um batedor de carteiras! E o Rui é só um menestrel! E Ace é só um patrulheiro. 

Não é, Set? Set, preste atenção: isso MUDOU. Sua vida MUDOU. Isso tudo que você está 

lendo nessa porra desse jornal, VOCÊ FEZ. Não foi outro “Set”. E esse jornalista, pela primeira 

vez nessa porra de jornal, não escreveu nenhuma mentira. Você TEVE essa coragem! Você 

ESTÁ enfrentando Yuden, enfrentou e venceu um deus. Seu mundo é um mundo sem magia 

arcana como a conhecemos, mas, aqui, VOCÊ É MAGO. Não adianta querer retornar àquilo e 

fazer de conta que nada aconteceu. Não adianta fingir que tudo continua do mesmo jeito. Não 

adianta fingir que nada mudou. Você agora tem um filho. E, no momento, ao menos, está em 

outra profissão. Você nos conhece como literatura, mas, para nós, esse é o mundo real. Você, no 

momento, está tentando pensar em um jeito de evitar que Yuden entre em guerra com o Reinado 

todo usando esse conhecimento que você tem. Então, não, Set, você não é ‘só um tradutor’, não 

que houvesse desonra em ser um. Você..." – Artemis pausou – “Você é o cara com o plano. E, 

francamente, consigo pensar em pais muito piores do que você seria.”

“Ok... Ok... Eu preciso sair dessa cidade para ir ver o menino, depois... Arrumar, sei lá, 

teleporte, caralhada a quatro... Meu Deus... Mas... Ok. Ok. Foco, foco... Precisamos de 

um plano B se Rhana não cooperar. Ah, sim, e a gente NÃO vai tentar forçá-la a NADA, 

entenderam?”

“Sim, claro.” – Disse Ace.

“Se ela for forçada, foge assim que der e isso piorará as coisas.” – Disse Rui.

“Na boa, Set, se for para evitar uma guerra, eu tou pouco me fodendo se ela quer ou não.” - 

Disse Artemis.

“Ugh...” – Disse Set – “Olha, Artemis, se ela não quiser, foge de novo e a gente se fode!”

“Vai ser mais bem-guardada dessa vez.” – Disse Artemis.

Set sentia uma boa quantidade de engulhos com aquilo. Respirou fundo.

“Bom... Ok... Mas ainda acho que vai dar merda. Dêem-me um momento, preciso pensar em 

uma contingência... Yuden, Yuden... O que tem em Yuden... Pera... Taliran! Taliran Meia-
Noite!” – Disse Set.

“Er... Quem é?” – Perguntou Ace.

“Taliran uma vez levou uma vilazinha de Yuden a Sombria, o reino de Tenebra...” – Disse Set.

“E se é possível levar uma vila de Yuden ao reino de Tenebra, é possível, por algum tempo 

que seja, levar todas as cidades ou Warton, que é o 'quartel’ de Yuden, ao reino de Marah. De 

preferência, na frente do palácio dela. Pois quem vê a luz de Marah não consegue mais lutar, 

vira pacifista!” – Disse Set – “Assim, a capacidade de guerrear de Yuden vai acabar, sem que 

nem uma gota de sangue seja derramada, e a ideologia deles mudaria junto...”

“Hongari tem Marah como divindade principal...” – Disse Ace – “Não deve ser difícil encontrar 

um templo dela por aqui e tentar ficar sabendo de algum meio... Não garanto nada, claro, 

precisamos sair daqui antes de mais nada, mas...”

“Sim...” – Disse Set – “Mas sairemos daqui. Isso não é o problema principal. Além disso, o 

plano A é convencer Rhana, o que faremos ajudando-a a sair daqui, em qualquer caso."

“Certo.” – Disse Ace – “Então, você quer ir a um templo de Marah? Vi um aqui ao lado.”

“Sim.” – Disse Set - "Vamos eu e Rui. Você e Artemis devem procurar informações sobre 

Rhana e sobre Triumphus. Voltamos em meia hora.”

Set e Rui foram.

Marah era uma deusa sui-generis em certos aspectos.

Ninguém se sente mais caótico nos templos de Nimb ou mais ordenado nos de Khalmyr. Da 

mesma forma, embora templos de Keenn sejam quartéis, não é usual se sentir violento neles.

Um templo de Marah pacificava as pessoas.

Set suspirou. Sentia-se muito cansado.

Sou pai. – pensou. Teve de prestar atenção à questão imediata.

“Pois não, em que posso ajudá-los? Sou Irina, clériga de Marah desse templo.” – Era uma 

mulher bonita, dos seus trinta e cinco anos.

“Tenho um pedido a fazer, talvez uma ajuda... Você conhece um clérigo de Tenebra chamado 

Taliran Meia-Noite?" – perguntou Set.

“Já ouvi falar... Transportou uma vila de Yuden para Sombria até que aventureiros a trouxeram 

de volta, certo?”

Set assentiu com a cabeça.

“Quero saber, Irina, se é possível fazer o mesmo, mas transportando ou Yuden ou Warton para... 

Serena. Para onde possam ver a luz da deusa... Ou invocar Marah para Yuden...”

“Deseja evitar a guerra pacificando Yuden, Set.”

Set se deu conta de que não havia se apresentado.

“Er... Magia de leitura de mentes? Eu não...”

“Você não se apresentou, Oráculo... Mas acaso acha que não é... Conhecido? Um homem me 

fala sobre Taliran Meia-Noite, uma história que poucos conhecem, e menciona Yuden com 

grandes planos, sabendo de um dos segredos de minha deusa... Fica fácil. Você é Rui." - Disse 

ao bardo.

“Bom... Eu não acho que você vá me fazer mal.” – Disse Set.

“Jamais.” – Disse Irina – “Porém... Existe uma possibilidade. Suponho que vocês tenham em 

mente algum meio de sair de Triumphus sem morrer pela maldição..."

“Er, como sabe que...”

“Um aventureiro com fama usando roupas simples, mas sem disfarce. O Móock atacou ontem. 

E você, oráculo que é. tem planos envolvendo locais longe daqui.” – Disse Irina, sorrindo 

levemente.

“Irina... Surpreendente.” – Disse Set. Gostou do estilo “Sherlock Holmes” da clériga.

“Precisamos de algum clérigo de Marah em Yuden... E o ritual precisa de certos componentes 

específicos." - Disse Irina - “Mas não será fácil. E vocês devem evitar a violência nessa 

expedição, se forem a ela. E vocês deverão garantir que não haja represálias aos yudeanos 

pacificados por parte dos outros reinos... Será um novo começo.”

“Entendo.” – Disse Set – “Vou tentar. Temos uma clériga. A Clériga. Mas está presa...”

“Isso não a impede, ela só precisa saber que os componentes estão com vocês e poderá fazer a 

prece de mãos vazias... Isso será MUITO difícil, então, quaisquer planos que tenham, usem-nos 

antes. Até porque eu não sei como Keenn reagirá.” – Disse Irina. Depois, contou a Set o meio e 

lhe passou as informações que precisaria para esse plano B.

Em Giluk, um bebê dormia, agasalhado contra o frio que fazia – sempre – lá fora e quentinho.

Em seus sonhos, uma mulher pálida com olhos de lua e cabelos negros sorria e preparava 

para ele uma mamadeira enquanto uma mulher mais jovem, pálida e de cabelos negros, mais 

baixinha e bonitinha, o carregava e o ninava.

Tenebra, a Mãe Noite, sorriu de leve.

“Set agora sabe...”

Neruite abraçou o bebê, sorrindo.

“No próximo sonho, eu o mostro a ele, então... Eu disse que você ia gostar de vir aqui...”

Tenebra se permitiu corar diante de sua filha.

“Estou mudando, filha. Sabe muito bem disso... Mas, por enquanto...”

“Sim, já sei. Não contar para ninguém.” – Disse Neruite, enquanto aninhava o bebê.

Nem Raposa Cinzenta e nem qualquer outro habitante de Giluk saberiam explicar de onde 

vieram a bonita manta preta-azulada com temas de estrelas que parecia protegê-lo de qualquer 

frio e o mamute de pelúcia que ele agarrava e do qual tanto parecia gostar. Tampouco sabiam 

por que é que o bebê nunca acordava chorando e nem jamais parecia ter um pesadelo.

É que o bebê em questão teve sorte no quesito "madrasta” e no quesito “avó extra”, só isso.

Isso também explicara por que é que, em uma ocasião em que o garoto quase fora atacado por 

minotauros do gelo em um ataque deles à vila, os minotauros foram atacados por algo sombrio, 

escuro e feroz que não deixou nem uma gota de sangue e nem um grama de carne nos ossos 

brancos e o bebê foi protegido e apenas ficou lá, calmo, deitado e quentinho.

A título de curiosidade, uma das paredes do palácio de Tenebra em Sombria agora geme e berra, 

com a espessura de carne e várias faces distorcidas, todas acabando em uma só boca. Seus 

grunhidos são mais ou menos parecidos com o som de minotauros implorando por piedade.

Essa parede, por sinal, fica de frente para uma que fora “inaugurada” após os paus-mandados de 

Sckhar terem ferido Petra. Essa parede não grita mais. Só chora.

Enfim. Alheio a isso, o filho de Raposa Cinzenta e de Set dormia como um anjo, protegido 

pessoalmente por duas deusas.

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Enquanto Isso, no Cume...

“VOCÊ PEGA UMA, TOMA ELA TODA, SETE MILHÕES, OITOCENTOS E NOVENTA E 

QUATRO MIL, TREZENTAS E ONZE GARRAFAS DE CERVEJA!!!”

Por algum motivo, Clériga não estava rouca e os prisioneiros não se chateavam com a cantoria, 

mesmo depois de mais de duas milhões de iterações.

Os guardas, sim.

GAZETA DO REINADO ESPECIAL IV: AVENTUREIROS DE ARTON, HERÓIS OU VILÕES?

por Leônidas Stonger

Continuemos a narrar a história desse infame grupo de malfeitores erroneamente chamados de “Aventureiros de Arton” de seu plano de assinar o rei do nobre reino de Yuden.

Como informado na edição passada, o grupo, após ser expulso da cidade voada de Vectoria, pelo próprio mago regente, esteve desaparecido durante quase um ano. Apesar dos rumores de que estivessem presos e sendo torturados no covil de um dragão negro, Arkam, a realidade é bem diversa. O dragão era seu aliado, e passaram todo o tempo tramando como matar o rei Yudennach II, com o auxílio do assassino camaleão.

No final de 1396, entretanto, o grupo apareceu na pacata cidade de Maranata, em Dheon. Trata-se um pequena aglomeração de pessoas, distante um dia de cavalgada de Valkaria. Apesar de modesto, o lugar contava com um templo para Valkaria, outro para todos os deuses, e um dedicado unicamente a Mahra, Deusa da paz. E foi justamente a clériga local de Mahra, chamada Lili, que deu amparo à Set e seus comparsas, quando chegaram à cidade.

Obviamente, a história contada é que estavam fugindo do dragão negro. Aparentavam estar esgotados, sem equipamentos, sem nada. Afirmaram que sofreram torturas indescritíveis nas mãos do dragão negro Arkan, sendo entregues ao monstro pelo assassino Camaleão e um comparsa dele, uma homem silencioso com capacidades mágicas, em troca de uma grande recompensa. Alegaram que o dragão era o mesmo que havia sido derrotado pelo grupo quando do encontro com Aleph, olhos vermelhos. Afirmaram que Camaleão os enganou com sua habilidade de se metamorfosear, e usou de veneno para inutilizá-los. Chegaram a mostrar cicatrizes das torturas sofridas. Ace, inclusive, afirmou ter morrido e perdido um dos olhos durante o cativeiro, mas revivido graças a sua fé em Thyatis. 

A fuga, segundo afirma, ocorreu durante uma tentativa desesperada dos homens de Lufian, em Fortuna, de acabar com o dragão. Esta cidade estava que sendo atacada impiedosamente por Arkan, que exigia tributos em ouro e sangue. Flavius, um homem que utilizaria uma máscara de ferro, liderava o povo de Lufian. Continuando suas mentiras, Artemis e os demais relataram que as pessoas da vila foram mortas pelo dragão, com exceção de Flavius, mas durante a batalha os “aventureiros” lutaram como puderam contra o poderoso Arkan. O dragão entrou em voo, e a luta durou tempo suficiente para chegarem de Fortuna a Dheon (que fica a pelo menos 500 quilômetros de Fortuna!), quando então todos caíram. Teriam deixados na caverna a maior parte dos seus pertences, inclusive um colar com um desejo que haviam ganhado como recompensa por terem evitado a vinda de Sartan a este mundo. Somente Artemis teria utilizado seu desejo para ganhar uma capa mágica.

Prezados leitores, pasmem, mas apesar de todas essas mentiras o grupo ainda recebeu ajuda da igreja de Mahra, o que já demonstra que esta religião, que só sabe falar em “paz”, também gosta de mentira e traição. O dragão foi achado desacordado pelo famoso Circo dos irmãos Thiannate, que estava preparando algumas exibições na cidade de Maranta naqueles dias. Os irmãos Thiannates juram que conversaram com o dragão e este aceitou entrar para o circo; já Jane, a mulher barbada que foi dispensada pelos Thiannates há alguns meses, porque estava se tornando resistente a poção que lhe fazia crescer a barba, afirmou que o dragão foi aprisionado e drogado pelos donos do circo.

Se já como for, passou a ser anunciado em Maranata que um dragão negro era a nova atração trazida pelos Thiannates. Então, os sórdidos bandidos, agora acompanhados do mascarado chamado Flavius, foram até o circo, obviamente buscando salvar o “comparsa”. Para tanto tiveram a ajuda de um outro monstro, uma criatura terrível, conhecida em Yuden como Fera de Muitos Olhos, ou Beholder, no idioma antigo.
Foi uma massacre; a insipiente guarda de Maranata foi dizimada, covardemente, abatida por Ace e seus companheiros, enfraquecida pelos raios da Fera, que ainda enfeitiçou o capitão da guarda da cidade para levar vários homens para os pântanos distantes, onde quase todos morreram.

Mas o pior aconteceu quando o grupo já havia deixado a cidade, levando os soldados da guarda de Maranata. Um dragão negro adulto de imenso poder destruiu a cidade, queimando os moradores a centenas. Destruiu grande parte do circo até que libertou Arkan para juntos voarem para longe, com certeza indo se juntar aos cruéis “Aventureiros”. Segundo pude apurar, esse dragão era o pai de Arkan e estava muito irritado com o filho por se deixar prender assim.

Por aqui ficaremos, grandes amigos, mas voltarei na próxima semana com mais revelações acerca desse grupo de malfeitores que traiu a nobre nação de Yuden e trouxe o pesar de milhares, assassinando covardemente o amado Rei Yudennach II.

Mas não podemos nos deixar abater, meus amigos, porque o Príncipe Regente Mitkov Yudenach III não deixar passar em branco essa afronta. Deixemos o príncipe saber que tem todo nossa confiança e apoio para buscar punir esses frios assassinos, interrompendo sua trilha de maldades.