sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Diário de Arton - 28 de Weez de 1396

Tiragem: 50.000.000 de exemplares * Periodicidade: Diária * Proprietário: Salini Alan * Editora-Chefe: Irina Van Veer * 2a. Edição
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Editorial: Violência Não Previne Violência
Por Irina Van Veer

Sou clériga de Marah. Portanto, sou a primeira a me oferecer para me sacrificar pela paz, sim, minha própria vida, se necessário. Porém, note-se: minha própria vida. Não a dos outros. Estou disposta a ser torturada e a morrer para evitar uma guerra. Se a minha tortura e morte fossem evitar essa guerra, eu seria a primeira a me oferecer.
Porém, não vão. Bem da verdade, a tortura e morte dos Aventureiros de Arton também não vai. Yuden tem algo sério a ser corrigido. Uma guerra não vai resolver. Uma violência contra os Aventureiros de Arton – que são inocentes e não têm de ser forçados a serem torturados por qualquer motivo, pois isso também é violência – também não vai resolver nada.
Yuden tem de mudar. Essa mudança tem de vir de dentro e sem sangue. Sem torturas. Sem dor. Sem violência.
Eu me ofereceria para morrer por isso. Mas jamais ofereceria outras pessoas para isso. E essa lição deve ser aprendida por Deheon, ou não serão diferentes de Yuden.

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Opinião: Yuden Pode, Sim, Ser Vencida!
Por Jorus Silversong

Enquanto o Rei-Imperador Thormy enviava os Aventureiros de Arton para serem torturados e mortos em Yuden, seus membros principais eram enviados por Luigi Sortudo para resgatar Rhana, sua filha, que havia se recusado a se casar com Mitkov. Vemos, aí, o que o medo faz com as pessoas: o Rei-Imperador estava disposto a trair dessa maneira os heróis que salvaram esse mundo duas vezes, apenas para tentar evitar uma guerra com Yuden. Embora os Aventureiros de Arton não tenham, no momento, absolutamente nenhum motivo para pensar diferente, Thormy é um bom rei. Porém, ele crê que esse gesto vazio saciaria a sede de sangue de Yuden. Não saciaria. Sendo mais específico, nada saciará.
O seu raciocínio é simples: fazer o necessário para conseguir a paz, por achar impossível vencer uma guerra. Mas não é impossível. A Deheon, menos ainda. Impossível, na verdade, é evitar a guerra que Yuden quer, sempre quis, e sempre quererá, até o momento em que Yuden, finalmente, perder a guerra.
Estamos em Arton. Aventureiros fazem coisas épicas todos os dias. Os Aventureiros de Arton venceram em batalha um décimo do exército de Yuden. Sozinhos.
Imaginem, então, leitores, se tivessem o apoio de Deheon, se tivessem ajuda! Mas não. O Rei-Imperador escolheu a saída mais fácil e errada: dar inocentes a Yuden na esperança de evitar uma guerra que não pode ser evitada.
Yuden pode ser vencida. Foi vencida há poucos dias, aqui.
Cabe ao Rei-Imperador entender isso e perceber que a chave para vencer Yuden é trabalhar com os Aventureiros de Arton, não contra eles em uma tentativa vã de saciar a sede de sangue yudeana.
Chega de medo, Rei Thormy. Chega de cometer atrocidades por medo. Chega de mandar inocentes para serem torturados e mortos por medo.
Yuden pode, sim, ser vencida com a ajuda dos Aventureiros de Arton!
Vamos vencê-la.

Vamos Ajudar a Gazeta, Pessoal!

Por Kaylan Tartwig

Daí, gente boa! Aqui é Kaylan Tartwig, o único palhaço tão respeitável quanto seu público! Hoje, eu vou fazer um texto interativo para amanhã! Vou sugerir algumas ideias de coisas interessantes para a Gazeta falar sobre os aventureiros! Quem quiser ajudar a completar pode mandar cartas e a gente publica! É bom que eu fico na folga! Hahaha! Então, vamos lá!

- Arranjaram aquele abocanhador matraqueante para a Madame Stefania.
- Quase convenceram Loriane a vestir uma armadura de verdade (vilões!).
- Quase convenceram Niele a vestir uma roupa de verdade (VILÕES!!!).
- Teleportaram trezentos mil clérigos para Sallistick.
- Teleportaram os deuses para Sallistick, onde ninguém falava com eles, porque todo mundo dizia que eles não existiam.
- Se aliaram a Mestre Arsenal para... Ah, pera, a Gazeta GOSTA do Arsenal.
- Puseram um prego na cadeira de Keenn.
- Convenceram Rhana a largar Mitkov por um deles (Essa eu achei sem graça, mas Magoor veio aqui e disse que ia ser BEM mais engraçada daqui a um tempo).
- Pegaram de jeito a esposa do dono da Gazeta.
- Fizeram o dono da Gazeta de esposa (Leônidas, de noite, é Leléia!).

É, Mimimitkov, tá vendo? Eu te ajudo, cara, sou seu amigo! Tou aqui te ajudando a pensar no que dizer sobre esses terríííííííííveis vilões! Hahaha! Relaxa, Mimimitkov, seu achbuld de café da manhã vai te ajudar!


FUI!

Os Aventureiros de Arton - Especial do Diário de Arton II


Continuamos nossas narrativas.

Os Aventureiros de Arton passaram, depois dos eventos narrados, seis meses em Valkaria, onde fizeram trabalhos variados para várias pessoas. A fama deles ia aumentando como a fama de um negócio normal - aos poucos, lentamente. Após seis meses, tudo mudou.

Aconteceu quando um clérigo anão os visitou, desesperado. Disse-lhes que a espada de Khalmyr, Rhumann, havia sido roubada, e que o deus da justiça havia condenado os anões por isso, amaldiçoando toda a raça com uma morte lenta, até que a sua espada fosse retornada ao seu devido lugar. Logo depois disso, ouviram, vinda de uma estalagem próxima, uma batalha. Correram lá e viram algo invisível matando o clérigo anão: era o guardião de Rhumann, que estava enraivecido.

Os Aventureiros investigaram a causa desses eventos, visitando a Vila dos Goblins em Valkaria e, perguntando a testemunhas, determinaram que a espada havia sido roubada por Camaleão, que havia ficado por ali durante algum tempo para se camuflar. Os Aventureiros descobriram que havia acontecido uma infiltração no próprio Protetorado. No Protetorado, as investigações revelaram um possível plano para Camaleão, usando a Rhumann após corrompê-la com um ritual, matar o Rei-Imperador Thormy. Com a ajuda do Protetorado, encontraram a casa de um nobre local que havia sido convertida em um esconderijo (Aqui, cabe um esclarecimento valioso: os Aventureiros de Arton, por nossas investigações, se envolveram com o Protetorado. Se fossem vilões, teria o Protetorado sido enganado por eles? Se não foi enganado por eles, como afirmar, como faz a Gazeta, que são vilões?). Enfim, exploraram esse esconderijo. Nele, enfrentaram o Guardião, que estava fazendo lá suas próprias investigações com a “ajuda” – as aspas serão explicadas daqui a pouco – de um emissário do Protetorado. Após alguns segundos de luta, Set conseguiu acalmar o guardião. Foi quando o emissário atacou o Guardião, aparentemente por nenhum motivo além de causar sua ira e acabar com a tentativa bem-sucedida de diplomacia por parte de Set. O emissário foi derrubado pelo Guardião em uma batalha sem, contanto, morrer naquela hora, e o guardião diminuiu, graças à "ajuda" desse emissário, o prazo para a morte dos anões. Conta-se que Set, um mago e que ainda tinha magias preparadas, perdeu a paciência e, sem magia e nem armas, socou a cara do ladino (Nota de Kaylan: Quando Set, que odeia porrada, soca sua cara, é porque você fez caquinha. O Protetorado precisa rever seus critérios de contratação...), que, depois, veio a morrer em uma armadilha preparada por Camaleão (Desse evento, também – junto com o entrevero com Vectorius – veio a decisão de Set de criar a magia Momento de Diplomacia, que impede aliados de falarem ou fazerem coisas inconvenientes em contextos de conversação. Set talvez fique feliz em saber que uma Falar com os Mortos conjurada sobre esse agente revelou que o espírito dele está em Terápolis, mundo de Tanna-toh, sentenciado a aprender política e diplomacia por pelo menos duzentos anos).

Após esse evento, o grupo teve de ir ao templo de Khalmyr pedir a interseção de seu clérigo. Lá, de acordo com clérigos e acólitos, um milagre aconteceu: o deus apareceu para os aventureiros. Os aventureiros tentaram conseguir a piedade de Khalmyr para com a raça anã. Foram relativamente bem-sucedidos; Khalmyr mudou de volta o prazo para a morte dos anões, mas incluiu os Aventureiros nesse prazo (nenhum deles era devoto do deus da justiça na época e nós duvidamos de que isso os tenha inclinado a se tornarem devotos). Depois de mais uma busca por Rhumann e de serem conduzidos a mais uma armadilha de Camaleão, encontraram o assassino em um templo de Marah, onde violência não pode ser cometida. O assassino lhes propôs que deixassem ele cometer o regicídio em troca da espada de volta, proposta essa que foi recusada. O grupo se juntou à guarda de Thormy na ocasião. Só não se davam conta de que estavam protegendo o alvo errado: o Camaleão havia plantado as evidências de que o alvo era Thormy quando o alvo era, na verdade, Yudennach, o rei de Yuden. O Camaleão assumiu a forma de Artemis e matou Yudennach com a Rhumann. Na confusão que se seguiu, correu pelas ruas de Valkaria, com os Aventureiros em seu encalço. Após uma luta renhida, eles conseguiram recuperar Rhumann, mas o Camaleão fugiu. O grupo reencontrou Mitkov e Thormy; Mitkov queria, primeiro, que Artemis fosse diretamente passado aos yudeanos para, presumivelmente, um julgamento sumário. Yuden sendo Yuden, essa exigência mais tarde acabaria se estendendo para todos os Aventureiros de Arton. Não foi atendido inicialmente (embora Deheon tenha, depois, mandado todos os outros Aventureiros para Yuden para, até onde se sabia, serem torturados e mortos, mesmo esses sendo absolutamente inocentes), e essa recusa inicial foi o estopim da guerra que Yuden afirma ser legítima. Enquanto isso, os Aventureiros de Arton foram para Doherimm devolver a espada ao seu lugar. Receberam os agradecimentos de toda a raça anã e passaram algumas semanas na Montanha de Ferro. Sairiam, depois, em Petrynia, onde descobririam o que Yuden andara fazendo. Eles visitaram a casa do bardo Rui Escandinavo, onde um enxame de insetos lhes indicaria o próximo inimigo a combater.


Mas isso, por enquanto, terá de bastar, leitor, por questões de espaço. Aguarde a próxima edição do Diário de Arton!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Diário de Arton - 13 de Weez de 1396

O DIÁRIO DE ARTON

Tiragem: 50.000.000 de exemplares * Periodicidade: Diária * Proprietário: Salini Alan * Editora-Chefe: Irina Van Veer
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Editorial: Reflexões sobre uma Guerra Evitável

Por Irina Van Veer

Yuden quis a guerra, mesmo sabendo que yudeanos morreriam. Sangue, horror e morte para nada, a pretextos falsos. Não precisava, jamais, ser assim. Yuden tem espaço amplo, tem seu próprio domínio. Milhões de tibares são gastos em guerra, terror e morte, na eliminação do outro. Yuden poderia gastá-los para melhorar sua vida, para criar coisas, com sua organização. Tanto potencial desperdiçado por nada. Por uma atividade que não determina quem está certo, só quem sobra vivo. Se é que se pode chamar isso de vida.

Ainda assim, Yuden quis e conseguiu uma guerra formada com base em mentiras.

Para quê?

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Opinião: Os Verdadeiros Heróis e os Verdadeiros Vilões
Por Jorus Silversong

(Retratos do grupo)

Em primeiro lugar, permitam que me apresente. Sou Jorus Silversong, filho de Galtan Silversong, cronista dos Aventureiros de Arton e vítima de Yuden.

Sim, leitor, Galtan Silversong, junto com milhões de outras pessoas, é vítima de Yuden. Nessa hora, deverá estar preso, torturado, talvez morto. Yuden, em sua intimidação, no medo que causa, conseguiu tentar transformar heróis em vilões, conseguiu a guerra que queria, conseguiu forçar pessoas a atacarem gente bondosa por nada.

Não mais. Meu pai não quereria que eu fosse intimidado.

É chegada a hora de acertar as contas com a história, de fazer a verdade aparecer.

Yuden comprou a Gazeta de Arton e, por isso, esse pasquim que o jornal em que meu pai trabalhou todos esses anos se tornou vem publicando mentiras e aumentou sua tiragem. Então, antes de qualquer outra coisa, saibam bem disso: Yuden matou meu pai para sufocar a verdade e comprou a Gazeta de Arton para espalhar mentiras.

A realidade é outra. Tudo aquilo que meu pai escrevera de bom sobre os Aventureiros era a mais pura verdade. Eles salvaram o mundo de Sartan, salvaram o Reinado do Lorde Enxame. São conhecidos como heróis em Petrynia, reverteram a transformação de um bardo. Tudo aquilo. Tudo e muito mais. Leitor, eu entendo que salvaram o mundo é algo grande demais para as pessoas. As pessoas pensam em suas vidas, afinal, suas famílias, o mundo é enorme. Então, vou ser mais específico.

Leitor, os Aventureiros de Arton salvaram o mundo. Salvaram o seu país. Salvaram a sua região. A sua cidade. A sua rua. Sua safra, seu gado, seus mascotes, suas plantas. Suas coisas favoritas.

Salvaram a sua família. Sua mulher, seus filhos, sua mãe, seu pai, seus irmãos.

Salvaram você.

Leitor. Marco a frase acima dessa forma por um motivo. Você deve sua vida aos Aventureiros de Arton. Que isso fique bem claro. Essas pessoas retratadas acima, leitor, salvaram sua vida. Lembre-se sempre disso.

Continuando, após a derrocada de Lorde Enxame, cantada com surpreendentemente poucos exageros pelos bardos de Petrynia, foi o momento em que Yuden surgiu. Começou antes, com uma ocasião diplomática em Valkaria. Um anão havia visitado a sede dos Aventureiros de Arton, precisando de ajuda. A espada de Khalmyr, Rhumann, havia sumido. Havia sido roubada. E o deus da justiça estava despejando sua ira sobre os anões, na forma de uma doença que quase exterminou a raça, não fosse a intervenção dos Aventureiros de Arton. Mas eu me adianto.

Um clérigo anão de Khalmyr os visitou, dizia eu. Disse-lhes que procurassem a espada. Após várias investigações que os levaram pela Favela dos Goblins até a casa abandonada de um nobre e passando pelo Protetorado do Reino de Deheon, descobriram que o assassino Camaleão, contratado por Mitkov, a havia roubado para – tudo indicava – atacar o Rei Thormy. Para proteger o rei e para reaver a espada, esses heróis se juntaram a sua guarda pessoal. Foi quando, disfarçado de Artemis, o Camaleão fez seu ataque – contra o rei de Yuden, pai de Mitkov!

“Ora!” – perguntará o leitor – “Mas por que Mitkov faria isso?”

Simples.

Mitkov conseguiria o trono de Yuden, um bode expiatório e uma desculpa para a guerra. E foi o que obteve. Mitkov pagou por um regicídio. Pagou para que Camaleão matasse seu pai, com o intento de iniciar uma guerra que sempre quis. Deheon tentou fazer as investigações corretas, claro, e as fez. E, obviamente, chegou a essa mesma conclusão. Mas Deheon preferiu, claramente, tentar apaziguar Yuden. Preferiu e ainda prefere, mesmo considerando-se que Yuden sempre preferirá a guerra, o sangue e a morte.

Mas, continuando. Os Aventureiros não conseguiram impedir o parricídio por parte de Mitkov, mas perseguiram o Camaleão e recuperaram a espada, salvando toda a raça anã de uma morte horrível nas mãos de seu próprio deus.

Após alguns meses de festejos e honrarias em Doherimm, os nossos heróis voltaram para os eventos de Lorde Enxame, já tão retratados pelos bardos: fizeram uma expedição acompanhados da misteriosa e bela Raven Blackmoon até o ninho de Enxame e resolveram o problema que, deixado por sua própria conta (Nota de Kaylan: Thormy, talvez, estivesse um pouco ocupado num banho calmante de ervas com Mitkov para prestar atenção a esses problemas) iria matar o Reinado de fome.

Isso são duas vezes, leitor, em que eles salvaram o mundo, mas, aparentemente, para Yuden, isso não basta. Para Deheon, isso deveria bastar.

Após derrotarem Lorde Enxame, foram ao rei de Petrynia. Lá, encontraram Leônidas Stonger. Se esse nome lhe é familiar, leitor, é porque esse idiota é o mais novo editor da Gazeta do Reinado, que deveria ser mais conhecida por Mentiras sobre os Aventureiros de Arton.

Leônidas tentou impedir os aventureiros de Arton de terem sua justa recompensa e fazê-los serem presos para servirem de bode expiatório para Yuden, mas Set tinha outros planos. Deu um verdadeiro baile de argumentação no yudeano, que, perdendo a cabeça, investiu contra Set com uma espada. Após encorajamento de Rui e de outros, o rei de Petrynia sentiu no sangue seu ancestral Cyrandur Wallas e expulsou o idiota yudeano de seu palácio. Mas, logo depois, chegou Luigi Sortudo, pedindo a ajuda do grupo para reaver Rhana, que fugira para não se casar com Mitkov, pelo que eu não a culpo nem um pouco (Rhana não comprou a xana de uma cigana - Nota de Kaylan).

O grupo odiara essa tarefa, mas Yuden mantinha os outros aventureiros reféns e só os libertaria se a paz fosse celebrada (Ou: após a destruição de Yuden – Nota de Kaylan). Set e os outros decidiram que falariam com ela e, de qualquer forma, a libertariam de Triumphus, da Bênção-Maldição. Fizeram, como se sabe agora, muito mais do que isso. Sim, leitor, eles libertaram Rhana. Libertaram, também, toda a Triumphus e a salvaram de um horrível ataque yudeano à traição. Mas isso ficará para amanhã. Pois hoje, leitor, quero que tire esse tempo para se lembrar disso.
Os Aventureiros de Arton salvaram sua vida e a vida de cada pessoa que você ama. Duas vezes. Ou mais.
Eles merecem um agradecimento muito melhor do que têm recebido de Deheon e de Yuden. E de várias outras figuras tão distintas – e tão iguais! – quanto Talude e Vectorius.


Tou Querendo Ver Como Vão Explicar Isso em Kannilar!
Por Kaylan Tartwig

Daí, gente boa! Aqui quem fala é Kaylan Tartwig, o único palhaço tão respeitável quanto seu público! Hahaha! E a gente começa bem! Teve FESTA! Churrascão da gente diferenciada no meio da batalha! A vingança veio de Móock! E a gente achava que ele só tava lá para torrar a gente! Hahaha! Ace, montado no passarinho bonitinho, mais Set, Drik e Salini, montados em outros três passarinhozinhos bonitinhozinhos (eram menores, ora!), venceram a batalha contra um monte de soldados bem treinados da gloriosa nação de Yuden! UM DÉCIMO!!! Foi um décimo das forças deles nessa brincadeira! Eles literalmente dizimaram os yudeanos! Cento e setenta e seis mil! Agora quero ver como vão explicar, porque deixar claro que os soldados caíram para quatro pessoas, o Mimimitkov NÃO VAI! Aposto uma noitada na Casa dos Prazeres nisso! Aí vão algumas sugestões para ele dizer aos yudeanos! A palavra do Mimimitkov é LEI, né? LEItão! Já viram a barriguinha dele? Hahaha!

- Foram ocupar Lenórienn a pedido da Aliança Negra, que tinha ido ao banheiro.

- Sentiram inveja da Aliança Negra de Ragnar e foram formar a Aliança Vermelha.

- Foram criar dezesseis mil times de futebol, esse novo esporte que o Set lançou.

- Estão presos em um campeonato interminável de porrinha com halflings.

- Foram passar uns dias em Pyra e só vão voltar daqui a alguns anos.

- Foram engolidos pelo Buraco de Joshariff, em Nova Ghondriamm.

- Estão presos em uma disputa que não acaba para ver quem é mais macho.

- Talude os encolheu e os botou no bolso.

- Dois terços se assumiram e se juntaram e o outro terço foi procurar mulheres. (Homenagem a Irina!).

- Ouviram sobre os Aventureiros de Arton, decidiram se juntar e criar quarenta e quatro mil grupos de aventureiros (Homenagem a Jorus!).

Pode usar qualquer uma delas, Mimimitkov, eu deixo! Mas tem que pagar direitos autorais, porque eu vejo minha piada como um pai vê um filho! Opa, pera, mau exemplo no seu caso, minhas piadas não vão contratar nenhum assassino para dar cabo de mim! Hahaha! Bom, talvez elas te aborreçam e VOCÊ faça isso, mas eu estou em Triumphus, então, paga uns dez ou doze, viu? Hahaha! 

Parece que certos regentes tomaram Achbuld no café da manhã!

Gênese do Diário de Arton

“Ah, isso é ridículo...” - Resmungou Salini Alan.

A segunda edição da Gazeta do Reinado, depois de tomada, Salini não se importava como, por yudeanos, não era melhor que a primeira. Salini pausou um instante e pensou.

Talvez seja uma ideia...

Foi até o templo de Irina.

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“Ora, ora. Salini Alan. Não imaginava você vindo aqui tão rápido...” – Disse Irina, agradável.

Salini passou a ela um exemplar da Gazeta.

Irina suspirou.

“Não preciso ler para saber o conteúdo. Mas por que veio aqui?”

“Quero saber se você, que é tão bem informada, sabe onde está Galtan Silversong, o antigo editor...” – Disse Salini – “Pois vou fundar um novo jornal. Ele será diário e de circulação por todo o Reinado...”

Irina sorriu de leve.

“Ora, ora... E o que é que o grande comerciante Salini Alan, o grande mago ambicioso que só se importa consigo mesmo, ganha com essa empreitada, pergunto eu...”

“Ora, não é óbvio? A Gazeta se tornou um lixo. Posso preencher esse mercado e divulgar coisas em meu favor!”

“Mesmo? E publicará coisas em favor dos Aventureiros de Arton?” – Perguntou Irina, ainda sorrindo, divertida.

“Ora, por que não? Eles são notícia e ajudaram Triumphus, aqui são bem-vistos!” – Respondeu Salini.

Irina sorriu.

“E só por isso, Salini Alan?”

Salini Alan finalmente cruzou os braços.

“Ora, eu não preciso lhe explicar meus motivos. Você sabe ou não? Pago por essa informação.”

“Fique com seu ouro, pois Galtan Silversong está em Yuden. Preso. Torturado. Talvez, morto.” – Disse Irina, suspirando.

“Droga...” – Salini parecia triste.

“Parece um pouco desolado demais para uma questão de negócios. Gostava muito do estilo de escrita de Galtan Silversong?”

“O quê? Ora... Claro que não." - Salini se recompôs, disfarçando a preocupação - "Mas precisarei achar outro editor..."

“O filho dele seguiu os passos do pai.”

“E é bom?”

“Por que não pergunta a ele?” – Perguntou Irina – “Jorus! Kaylan! Chegou a visita que eu previa...”

“O quê...”

Irina sorriu de leve.

“Ah, Salini Alan... Você vai explicar o que fez e fará pelos Aventureiros como quiser. Mas... Bom, talvez você tenha gostado deles, não é? E, talvez, a fala de Set sobre sua grande e magnífica cidade tenha te dado aquela coceira que os comerciantes têm... Eu calculava que isso fosse ocorrer. E sabia que Jorus Silversong precisaria de proteção contra Yuden... Ao mesmo tempo, eu sabia que você faria algo assim. Pois um comerciante como você sabe o valor de uma reputação. E um mago que conhece aventureiros como você sabe que eles nem teriam tempo de enfrentar as mentiras de Yuden..."

“Minha senhora, eu só estou realizando um investimento!” – Disse Salini Alan, como que ofendido pela ideia de que ele não fosse apenas um comerciante a trabalho.

“Claro, claro...” – Disse Irina, sorrindo de leve - “Eu tomei a liberdade de separar um espaço para os escritórios no templo. Claro, haverá mais estrutura e outras coisas que você precisará providenciar, até fora da cidade, para o Diário de Arton ser enviado por teleporte para as principais cidades e capitais... Ah! Eis o nosso jornalista e nosso cronista de humor.” 

Salini Alan não notara que Irina havia acabado de batizar o jornal.

Jorus Silversong era um ruivo com um olhar que misturava curiosidade e revolta.

“Eu pesquisei sobre os Aventureiros de Arton..." - Ele disse – “E eu sei o que Yuden é e o que representa...”

Kaylan Tartwig tinha cabelos castanhos e um sorriso um pouco grande demais para o rosto, desses que mandariam homens sãos correndo para as colinas.

“E eu consigo ser muito, mas muito irritante quando quero!”

“Olhe só. Temos nossos cronistas.” – Disse Irina, sorrindo de leve – “Agora... Posso convencê-lo, Salini Alan, até por estar cedendo espaço, a ter minha pena nesse jornal? Eu já tomei a liberdade de pesquisar algumas outras funções...”

Salini Alan olhou Irina.

Decidiu que ela seria uma excelente ajuda para esse empreendimento. Apertou as mãos de sua nova diretora de jornalismo e de seus novos cronistas.

“Sabe, Salini... Set estava errado. Ele me disse uma vez que tem mais gente disposta a mover céus e terras para prejudicá-lo do que gente disposta a mover uma palha para ajudá-lo.” – Disse Irina, sorrindo – “Vamos... surpreendê-lo?”

Salini sorriu.

“Providenciarei para que a primeira edição caia em suas mãos.”

“É mesmo? Isso não te custará dinheiro?" - Perguntou Irina, sorrindo.

“Ora!” – Respondeu Salini, novamente como que ofendido pela ideia de que ele se importava – “Consigo esse valor em segundos!”

Irina riu.

“Ah, Salini Alan. Jura que não se importa, mas sorri com a ideia de surpreendê-los. Nunca mude, sim?”

Beijou o rosto do mago, que corou como um pimentão, e foi passar recomendações a sua rede de informações de Triumphus – e recomendar a eles planos para expandi-la.

O repórter foi fazer suas pesquisas.

Salini Alan foi providenciar o encantamento de algumas prensas para providenciar o que seria uma tiragem colossal. Yuden, afinal, havia insultado sua inteligência, Deheon havia ferido seu orgulho e essa ideia tinha lucros potenciais imensos e Salini, afinal de contas, não era de fazer as coisas pela metade. Faria uma tiragem imensa por conta disso, pois era um comerciante, um mago poderoso, e se tornaria um magnata das comunicações, e tiraria esse pasquim que a Gazeta se tornara de cena.

E, enfim, uma miríade de razões para racionalizar o fato de que se importava.

No fundo, no fundo, jamais admitiria isso para si, mas se sentia extremamente vivo.

E ainda com o rosto quente depois do beijo de Irina. Mas isso, por enquanto, atribuíra ao calor.

Os Aventureiros de Arton - Especial do Diário de Arton I

Vários Autores

A fim de facilitar nosso trabalho e de evitar problemas advindos de Yuden para cada jornalista em separado, esse texto é um composto de vários jornalistas, anônimos para protegê-los de represálias. Cada um deles cooperou na busca pela verdade sobre esse controverso grupo. A maior parte das coisas que Galtan Silversong havia escrito, excluindo-se o que ele próprio disse ter escutado de fontes mais duvidosas, bate com os fatos. Então, continuaremos a história desse grupo tão controverso.

Após um incidente com Vectorius cujas motivações permanecem pouco claras, porém parecem ter envolvido uma altercação iniciada por Rui, o bardo do grupo, após o momento em que Vectorius iria agradecer ao grupo por ter resolvido uma questão com o Grêmio dos Médicos Monstros, o grupo foi expulso de Vectora pelo mago. Desolados, com Set e Artemis furiosos com Rui (Ace, naquela hora, estava morto), foram enganados por alguém que se disfarçou de uma pessoa que tinham ajudado. Correm boatos de que essa pessoa seria o Camaleão, que se tornaria um incômodo frequente para o grupo no futuro. O fato é que eles foram derrubados e levados para uma caverna próxima a uma vila em Deheon, a vila de Luvian, onde encontraram meses de suplício nas garras do dragão negro que haviam combatido antes, Arkham. O que aconteceu no covil do monstro, exatamente, os próprios aventureiros se abstiveram de dizer, mas o fato é que, após um grupo de aventureiros invadir o covil, Arkham tentou se manter com eles os agarrando enquanto fugia. Foi nocauteado no meio da fuga, derrubando os aventureiros, que só não foram ao chão porque o clérigo e único sobrevivente do grupo em questão havia conjurado bestas aladas para levá-los suavemente. Os aventureiros chegaram ao solo em Maranata, uma vila entre Valkaria e o Pântano dos Juncos, interrompendo, sem querer, o casamento de um comerciante local. Lá, tiveram suas feridas físicas e psicológicas curadas por uma clériga de Marah, e receberam roupas e alguma ajuda para se reerguerem.

O descanso, dizem as fontes, durou pouco. O grupo viu o Circo dos Irmãos Thiannate chegar à vila, carregando ninguém menos que seu carrasco desses meses todos, Arkham, o dragão negro. O dragão estava dormindo por obra de magia, mas o grupo bem sabia o que poderia ocorrer se acordasse.

No mesmo dia em que o Circo dos Irmãos Thiannate chegou à vila, um beholder, um monstro de onze olhos, apareceu, causando pânico na população. Ace, de alguma forma, percebeu que o monstro na verdade era Torinks, um bardo transformado por uma maldição, e foi, com parte do grupo, ajudá-lo. Set, aparentemente, estava entretido em tentar garantir a segurança da vila contra o dragão, pois foi até o local onde o circo estava e tentou avisá-los. De acordo com fontes fidedignas, Set encontrou lá Sean Cavendish, que ainda não havia se revelado como o assassino frio que todos conhecemos e como parte do Grupo do Mal, e que lhe deu um ingresso. O apelido de “Oráculo” do mago aparentemente se justificava ali, pois, de acordo com testemunhas, Set teria voltado do circo com os nervos em frangalhos e murmurando para si mesmo “(Expletiva removida pela editora), eu encontrei o Sean Cavendish e estou vivo!” repetidas vezes, mesmo bem antes de Cavendish revelar sua natureza ao resto do mundo. Aparentemente, ao menos na época, Set acreditava que Sean Cavendish era perfeitamente capaz de matá-lo. (Nota da Editora: Magoor nos visitou e afirma que isso será o tema de uma suprema ironia daqui a alguns dias. Portanto, os leitores já ficam de sobreaviso. Nota de Kaylan: Diário de Arton: compre hoje para saber as notícias de amanhã!)

Após esses eventos, Set trocou o ingresso com um mensageiro pelo envio de uma mensagem a Talude, o Mestre Máximo da Magia. Aparentemente, Set pretendia negociar informações a troco de ajuda por parte da Academia Arcana. Quando Set voltava dessa empreitada, deu com os membros da guarda de Maranata indo à caça do "monstro". Convenceu-os a deixar um destacamento na cidade propriamente dita, pois temia o que aconteceria se o dragão se libertasse, e foi, junto com o xerife, atrás de Ace e Torinks.

Voltando a Ace e a Torinks, Ace, Artemis e Rui seguiram o confuso bardo-beholder até a caverna onde ele teria sido transformado, mas não sem antes passar por vários outros eventos, nos quais, por sinal, reencontraram Set. Ace e Torinks seguiram por diversos caminhos aleatórios guiados pelo bardo. O grupo se reencontrou e o mal-entendido foi desfeito. O bardo-beholder os “guiou” até um templo antigo, o templo do deus sapo no Pântano dos Juncos. Lá, entraram e lutaram contra um catoblepas, monstro com olhar que transformava seus oponentes em homens-sapos. Após luta renhida, na qual eles próprios foram transformados, mataram o catoblepas e, após algum tempo de caminhada, voltaram ao normal. Passaram por uma floresta, onde encontraram dois habitantes (o repórter que acompanhava esse evento noticiou que são extremamente gentis, CONTANTO QUE não se fira os animais. Pediram que os seus nomes não fossem revelados. São vegetarianos e fazem bons legumes grelhados). Nessa ocasião, Ace encontraria Vulkar no que parece ser uma constante para o paladino de Thyatis: a redenção. Uma mantícora que era antiga inimiga dos dois habitantes da floresta os visitou durante a noite, acompanhada de mais monstros, entre eles um lobo invernal. A batalha foi curta: o grupo rendeu os dois, com o lobo invernal, ferido em combate, sendo intimidado por Set a ficar quieto e com Ace usando seus talentos de ranger para conversar com ele. Esse lobo era Vulkar e se tornou, redimido, o companheiro e montaria do paladino de Thyatis. Finalmente, o grupo chegou à caverna onde Torinks havia se transformado. Lá, encontraram kobolds transformados em humanos pela mesma magia que transformara Torinks! Após tentativas de diplomacia e batalhas com esses kobolds, o grupo fechou a arca que havia transformado Torinks, transformando-o de volta. Como “indenização” ao líder dos kobolds, deixaram-no acompanhá-los. Ele se apresentou como Robson III, rei dos kobolds locais. Sua “suíte real” na futura sede dos Aventureiros de Arton parecia a toca ideal para um kobold, pelo que se dizia, embora o resto do local fosse perfeitamente limpo. Na volta desses eventos, Set recebeu a mensagem de que seu pedido para um encontro com representantes da Academia Arcana estava atendido. “Palavras não descrevem o alívio que apareceu no rosto dele.”, disse o xerife depois.

O grupo voltou a Maranata para uma surpresa terrível: um dragão maior, pelo visto o pai de Arkham, havia visitado a vila e, após punir severamente o filho, praticamente destruído o local. Os habitantes só sobreviveram porque o destacamento da guarda que Set havia convencido o xerife a deixar havia orientado os cidadãos a irem para o templo de Marah, onde estariam protegidos da fúria do dragão. Após receberem essa notícia, Set e o grupo rumaram a toda para Valkaria, pois temiam que o dragão voltasse a atacá-los. Foram recebidos pelo professor Vladislav Tpish, que os conduziu à Academia Arcana. Após alguma troca de informações que ninguém na Academia quis comentar para além da declaração “Sabe Vectorius? O mago que vive falando que a magia só deve ser dada a quem faz por merecer? Ele é um feiticeiro. Tirou a magia na sorte. Segredinho legal, né?” feita por Nereus, o sênior da água, Set e o grupo receberiam de Vlad e de Talude a sede dos Aventureiros de Arton em Valkaria, a guilda de aventureiros que fundaram e onde passaram seis meses em relativa paz até os eventos que, finalmente, os colocaram em conflito com Yuden.

Falta-nos o espaço para concluir o texto em apenas uma edição, mas podemos adiantar que os fatos levantados são bem diferentes daqueles descritos de forma tão, na falta de melhor termo, detalhada pela Gazeta do Reinado em suas duas últimas edições. Amanhã, daremos prosseguimento à saga desse grupo até agora: sua luta para preservar a espécie dos anões, seu esforço para evitar um regicídio, seu envolvimento com o Camaleão, com Lorde Enxame, com Leônidas Stonger e com Luigi Sortudo, o bardo do Rei Thormy.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

PEQUENO TRATADO SOBRE MUDANÇA

O Brasil de 2014 é um lugar no qual várias medidas podem ser tomadas para se prevenir uma 

gravidez indesejada. Pílulas anticoncepcionais (até mesmo a famosa “Pílula do Dia Seguinte”), 

DIUs, camisinhas, espermicida nas camisinhas, etc.

Set – João Lucas – sendo alguém de classe média, relativamente esclarecido e, portanto, 

familiar com tais procedimentos, nunca esperou, enquanto estava na Terra, ser um desses pais 

que fazem um filho em alguém e somem no mundo.

Claro, em Arton, as coisas são diferentes, e isso mesmo supondo que a parceira tenha qualquer 

interesse que seja em evitar uma gravidez, o que não é sempre o caso.

Isso explica a reação de Set na Taverna do Móock, lendo o jornal.

“Hum, parece que o jornalista finalmente está mais equilibrado em relação a nós. Espero que 

isso melhore nossa rePUTA QUE PARIU, EU TENHO UM FILHO!!!"

O termo que Set teria utilizado seria "reputação". Feliz coincidência.

“O quê??? Deixa eu ler isso!” – Disse Artemis. Passou os olhos no texto e começou a rir. – 

“Não acredito, Set! Você foi o primeiro de nós a ter um filho no meio do nada e sumir no 

mundo! Parabéns!”

Set estava um tantinho ocupado. A mente, muito "da Terra” ainda, pensava, no instinto, em 

coisas sobre como pagar pela faculdade do garoto, que nome ele teria e conceitos como divórcio 

e pensão alimentícia, conceitos que eram tão pertinentes para Arton quanto "magia dracônica" 

era para a Terra. Por enquanto, ao menos.

“Mas... Mas como??? Eu só fiquei com ela uma noite, e...” – Disse Set. Claro, Set ERA, 

obviamente, esclarecido o bastante para saber que uma vez bastava, mas essa reação era 

“...e bastou, Set.” – Disse Ace - “Mas... Como você explicará isso a Neruite?”

Set empalideceu.

“Er... Pera. Se o guri dormiu, ela sabia... Antes de mim.”

“Certo...” – Disse Rui – “Bom, isso vai levar algum tempo para melhorar nossa reputação, mas 

já ajuda, e muito.”

“Rui, desculpe se falo assim, mas estou pouco me fodendo para nossa reputação no momento..." 

- Disse Set.

“Bom, não teria esse problema se não tivesse muito fodido ELA...” – Disse Artemis, sorrindo 

um sorriso que Set, mais tarde, qualificaria como ‘sorriso de troll de Internet’.

“Artemis! Dá um tempo! Não tá vendo que ele tá abalado?” – Perguntou Ace – “Set... 

Calma. Respira. Vai ficar tudo bem. Você poderá visitar ele. E Neruite com certeza sabe e 

compreende.”

“Eu tenho um filho... Meu DEUS! Meu Deus... Meu DEUS!!!” – Era Set.

“Qual?” – Perguntou Rui, por instinto. Depois, lembrou – “Ah, certo. Vocês só têm um.”

“Er... Ok... Ok... Nada de pânico... Nada de pânico... Nada de pânico...” – Disse Set.

“Ele está entrando em pânico.” – Disse Rui.

Artemis foi mais direto. Gesticulou para a garçonete, puxou uma caneca de sua bandeja, enfiou-
a na boca do amigo e deu uma sacudida em sua cabeça.

“Ah! Caralho, quer parar com isso?” – Perguntou Set – “Er... Ok, eu precisava disso.”

“Tem graça, o sujeito que está enfrentando Yuden após ter vencido um deus ter medo de um 

bebê!” – Disse Artemis.

“Eu sou só um tradutor, Artemis... Eu sou só um... Droga... Eu sou só um tradutor...” – Disse 

Set – “Eu não teria coragem para enfrentar um bando de milicos de meu mundo e que não têm 

magia... Imagine Yuden, que tem!"

Artemis perdeu a paciência.

“Tá, e eu sou só um batedor de carteiras! E o Rui é só um menestrel! E Ace é só um patrulheiro. 

Não é, Set? Set, preste atenção: isso MUDOU. Sua vida MUDOU. Isso tudo que você está 

lendo nessa porra desse jornal, VOCÊ FEZ. Não foi outro “Set”. E esse jornalista, pela primeira 

vez nessa porra de jornal, não escreveu nenhuma mentira. Você TEVE essa coragem! Você 

ESTÁ enfrentando Yuden, enfrentou e venceu um deus. Seu mundo é um mundo sem magia 

arcana como a conhecemos, mas, aqui, VOCÊ É MAGO. Não adianta querer retornar àquilo e 

fazer de conta que nada aconteceu. Não adianta fingir que tudo continua do mesmo jeito. Não 

adianta fingir que nada mudou. Você agora tem um filho. E, no momento, ao menos, está em 

outra profissão. Você nos conhece como literatura, mas, para nós, esse é o mundo real. Você, no 

momento, está tentando pensar em um jeito de evitar que Yuden entre em guerra com o Reinado 

todo usando esse conhecimento que você tem. Então, não, Set, você não é ‘só um tradutor’, não 

que houvesse desonra em ser um. Você..." – Artemis pausou – “Você é o cara com o plano. E, 

francamente, consigo pensar em pais muito piores do que você seria.”

“Ok... Ok... Eu preciso sair dessa cidade para ir ver o menino, depois... Arrumar, sei lá, 

teleporte, caralhada a quatro... Meu Deus... Mas... Ok. Ok. Foco, foco... Precisamos de 

um plano B se Rhana não cooperar. Ah, sim, e a gente NÃO vai tentar forçá-la a NADA, 

entenderam?”

“Sim, claro.” – Disse Ace.

“Se ela for forçada, foge assim que der e isso piorará as coisas.” – Disse Rui.

“Na boa, Set, se for para evitar uma guerra, eu tou pouco me fodendo se ela quer ou não.” - 

Disse Artemis.

“Ugh...” – Disse Set – “Olha, Artemis, se ela não quiser, foge de novo e a gente se fode!”

“Vai ser mais bem-guardada dessa vez.” – Disse Artemis.

Set sentia uma boa quantidade de engulhos com aquilo. Respirou fundo.

“Bom... Ok... Mas ainda acho que vai dar merda. Dêem-me um momento, preciso pensar em 

uma contingência... Yuden, Yuden... O que tem em Yuden... Pera... Taliran! Taliran Meia-
Noite!” – Disse Set.

“Er... Quem é?” – Perguntou Ace.

“Taliran uma vez levou uma vilazinha de Yuden a Sombria, o reino de Tenebra...” – Disse Set.

“E se é possível levar uma vila de Yuden ao reino de Tenebra, é possível, por algum tempo 

que seja, levar todas as cidades ou Warton, que é o 'quartel’ de Yuden, ao reino de Marah. De 

preferência, na frente do palácio dela. Pois quem vê a luz de Marah não consegue mais lutar, 

vira pacifista!” – Disse Set – “Assim, a capacidade de guerrear de Yuden vai acabar, sem que 

nem uma gota de sangue seja derramada, e a ideologia deles mudaria junto...”

“Hongari tem Marah como divindade principal...” – Disse Ace – “Não deve ser difícil encontrar 

um templo dela por aqui e tentar ficar sabendo de algum meio... Não garanto nada, claro, 

precisamos sair daqui antes de mais nada, mas...”

“Sim...” – Disse Set – “Mas sairemos daqui. Isso não é o problema principal. Além disso, o 

plano A é convencer Rhana, o que faremos ajudando-a a sair daqui, em qualquer caso."

“Certo.” – Disse Ace – “Então, você quer ir a um templo de Marah? Vi um aqui ao lado.”

“Sim.” – Disse Set - "Vamos eu e Rui. Você e Artemis devem procurar informações sobre 

Rhana e sobre Triumphus. Voltamos em meia hora.”

Set e Rui foram.

Marah era uma deusa sui-generis em certos aspectos.

Ninguém se sente mais caótico nos templos de Nimb ou mais ordenado nos de Khalmyr. Da 

mesma forma, embora templos de Keenn sejam quartéis, não é usual se sentir violento neles.

Um templo de Marah pacificava as pessoas.

Set suspirou. Sentia-se muito cansado.

Sou pai. – pensou. Teve de prestar atenção à questão imediata.

“Pois não, em que posso ajudá-los? Sou Irina, clériga de Marah desse templo.” – Era uma 

mulher bonita, dos seus trinta e cinco anos.

“Tenho um pedido a fazer, talvez uma ajuda... Você conhece um clérigo de Tenebra chamado 

Taliran Meia-Noite?" – perguntou Set.

“Já ouvi falar... Transportou uma vila de Yuden para Sombria até que aventureiros a trouxeram 

de volta, certo?”

Set assentiu com a cabeça.

“Quero saber, Irina, se é possível fazer o mesmo, mas transportando ou Yuden ou Warton para... 

Serena. Para onde possam ver a luz da deusa... Ou invocar Marah para Yuden...”

“Deseja evitar a guerra pacificando Yuden, Set.”

Set se deu conta de que não havia se apresentado.

“Er... Magia de leitura de mentes? Eu não...”

“Você não se apresentou, Oráculo... Mas acaso acha que não é... Conhecido? Um homem me 

fala sobre Taliran Meia-Noite, uma história que poucos conhecem, e menciona Yuden com 

grandes planos, sabendo de um dos segredos de minha deusa... Fica fácil. Você é Rui." - Disse 

ao bardo.

“Bom... Eu não acho que você vá me fazer mal.” – Disse Set.

“Jamais.” – Disse Irina – “Porém... Existe uma possibilidade. Suponho que vocês tenham em 

mente algum meio de sair de Triumphus sem morrer pela maldição..."

“Er, como sabe que...”

“Um aventureiro com fama usando roupas simples, mas sem disfarce. O Móock atacou ontem. 

E você, oráculo que é. tem planos envolvendo locais longe daqui.” – Disse Irina, sorrindo 

levemente.

“Irina... Surpreendente.” – Disse Set. Gostou do estilo “Sherlock Holmes” da clériga.

“Precisamos de algum clérigo de Marah em Yuden... E o ritual precisa de certos componentes 

específicos." - Disse Irina - “Mas não será fácil. E vocês devem evitar a violência nessa 

expedição, se forem a ela. E vocês deverão garantir que não haja represálias aos yudeanos 

pacificados por parte dos outros reinos... Será um novo começo.”

“Entendo.” – Disse Set – “Vou tentar. Temos uma clériga. A Clériga. Mas está presa...”

“Isso não a impede, ela só precisa saber que os componentes estão com vocês e poderá fazer a 

prece de mãos vazias... Isso será MUITO difícil, então, quaisquer planos que tenham, usem-nos 

antes. Até porque eu não sei como Keenn reagirá.” – Disse Irina. Depois, contou a Set o meio e 

lhe passou as informações que precisaria para esse plano B.

Em Giluk, um bebê dormia, agasalhado contra o frio que fazia – sempre – lá fora e quentinho.

Em seus sonhos, uma mulher pálida com olhos de lua e cabelos negros sorria e preparava 

para ele uma mamadeira enquanto uma mulher mais jovem, pálida e de cabelos negros, mais 

baixinha e bonitinha, o carregava e o ninava.

Tenebra, a Mãe Noite, sorriu de leve.

“Set agora sabe...”

Neruite abraçou o bebê, sorrindo.

“No próximo sonho, eu o mostro a ele, então... Eu disse que você ia gostar de vir aqui...”

Tenebra se permitiu corar diante de sua filha.

“Estou mudando, filha. Sabe muito bem disso... Mas, por enquanto...”

“Sim, já sei. Não contar para ninguém.” – Disse Neruite, enquanto aninhava o bebê.

Nem Raposa Cinzenta e nem qualquer outro habitante de Giluk saberiam explicar de onde 

vieram a bonita manta preta-azulada com temas de estrelas que parecia protegê-lo de qualquer 

frio e o mamute de pelúcia que ele agarrava e do qual tanto parecia gostar. Tampouco sabiam 

por que é que o bebê nunca acordava chorando e nem jamais parecia ter um pesadelo.

É que o bebê em questão teve sorte no quesito "madrasta” e no quesito “avó extra”, só isso.

Isso também explicara por que é que, em uma ocasião em que o garoto quase fora atacado por 

minotauros do gelo em um ataque deles à vila, os minotauros foram atacados por algo sombrio, 

escuro e feroz que não deixou nem uma gota de sangue e nem um grama de carne nos ossos 

brancos e o bebê foi protegido e apenas ficou lá, calmo, deitado e quentinho.

A título de curiosidade, uma das paredes do palácio de Tenebra em Sombria agora geme e berra, 

com a espessura de carne e várias faces distorcidas, todas acabando em uma só boca. Seus 

grunhidos são mais ou menos parecidos com o som de minotauros implorando por piedade.

Essa parede, por sinal, fica de frente para uma que fora “inaugurada” após os paus-mandados de 

Sckhar terem ferido Petra. Essa parede não grita mais. Só chora.

Enfim. Alheio a isso, o filho de Raposa Cinzenta e de Set dormia como um anjo, protegido 

pessoalmente por duas deusas.

- - - - - - -

Enquanto Isso, no Cume...

“VOCÊ PEGA UMA, TOMA ELA TODA, SETE MILHÕES, OITOCENTOS E NOVENTA E 

QUATRO MIL, TREZENTAS E ONZE GARRAFAS DE CERVEJA!!!”

Por algum motivo, Clériga não estava rouca e os prisioneiros não se chateavam com a cantoria, 

mesmo depois de mais de duas milhões de iterações.

Os guardas, sim.

GAZETA DO REINADO ESPECIAL IV: AVENTUREIROS DE ARTON, HERÓIS OU VILÕES?

por Leônidas Stonger

Continuemos a narrar a história desse infame grupo de malfeitores erroneamente chamados de “Aventureiros de Arton” de seu plano de assinar o rei do nobre reino de Yuden.

Como informado na edição passada, o grupo, após ser expulso da cidade voada de Vectoria, pelo próprio mago regente, esteve desaparecido durante quase um ano. Apesar dos rumores de que estivessem presos e sendo torturados no covil de um dragão negro, Arkam, a realidade é bem diversa. O dragão era seu aliado, e passaram todo o tempo tramando como matar o rei Yudennach II, com o auxílio do assassino camaleão.

No final de 1396, entretanto, o grupo apareceu na pacata cidade de Maranata, em Dheon. Trata-se um pequena aglomeração de pessoas, distante um dia de cavalgada de Valkaria. Apesar de modesto, o lugar contava com um templo para Valkaria, outro para todos os deuses, e um dedicado unicamente a Mahra, Deusa da paz. E foi justamente a clériga local de Mahra, chamada Lili, que deu amparo à Set e seus comparsas, quando chegaram à cidade.

Obviamente, a história contada é que estavam fugindo do dragão negro. Aparentavam estar esgotados, sem equipamentos, sem nada. Afirmaram que sofreram torturas indescritíveis nas mãos do dragão negro Arkan, sendo entregues ao monstro pelo assassino Camaleão e um comparsa dele, uma homem silencioso com capacidades mágicas, em troca de uma grande recompensa. Alegaram que o dragão era o mesmo que havia sido derrotado pelo grupo quando do encontro com Aleph, olhos vermelhos. Afirmaram que Camaleão os enganou com sua habilidade de se metamorfosear, e usou de veneno para inutilizá-los. Chegaram a mostrar cicatrizes das torturas sofridas. Ace, inclusive, afirmou ter morrido e perdido um dos olhos durante o cativeiro, mas revivido graças a sua fé em Thyatis. 

A fuga, segundo afirma, ocorreu durante uma tentativa desesperada dos homens de Lufian, em Fortuna, de acabar com o dragão. Esta cidade estava que sendo atacada impiedosamente por Arkan, que exigia tributos em ouro e sangue. Flavius, um homem que utilizaria uma máscara de ferro, liderava o povo de Lufian. Continuando suas mentiras, Artemis e os demais relataram que as pessoas da vila foram mortas pelo dragão, com exceção de Flavius, mas durante a batalha os “aventureiros” lutaram como puderam contra o poderoso Arkan. O dragão entrou em voo, e a luta durou tempo suficiente para chegarem de Fortuna a Dheon (que fica a pelo menos 500 quilômetros de Fortuna!), quando então todos caíram. Teriam deixados na caverna a maior parte dos seus pertences, inclusive um colar com um desejo que haviam ganhado como recompensa por terem evitado a vinda de Sartan a este mundo. Somente Artemis teria utilizado seu desejo para ganhar uma capa mágica.

Prezados leitores, pasmem, mas apesar de todas essas mentiras o grupo ainda recebeu ajuda da igreja de Mahra, o que já demonstra que esta religião, que só sabe falar em “paz”, também gosta de mentira e traição. O dragão foi achado desacordado pelo famoso Circo dos irmãos Thiannate, que estava preparando algumas exibições na cidade de Maranta naqueles dias. Os irmãos Thiannates juram que conversaram com o dragão e este aceitou entrar para o circo; já Jane, a mulher barbada que foi dispensada pelos Thiannates há alguns meses, porque estava se tornando resistente a poção que lhe fazia crescer a barba, afirmou que o dragão foi aprisionado e drogado pelos donos do circo.

Se já como for, passou a ser anunciado em Maranata que um dragão negro era a nova atração trazida pelos Thiannates. Então, os sórdidos bandidos, agora acompanhados do mascarado chamado Flavius, foram até o circo, obviamente buscando salvar o “comparsa”. Para tanto tiveram a ajuda de um outro monstro, uma criatura terrível, conhecida em Yuden como Fera de Muitos Olhos, ou Beholder, no idioma antigo.
Foi uma massacre; a insipiente guarda de Maranata foi dizimada, covardemente, abatida por Ace e seus companheiros, enfraquecida pelos raios da Fera, que ainda enfeitiçou o capitão da guarda da cidade para levar vários homens para os pântanos distantes, onde quase todos morreram.

Mas o pior aconteceu quando o grupo já havia deixado a cidade, levando os soldados da guarda de Maranata. Um dragão negro adulto de imenso poder destruiu a cidade, queimando os moradores a centenas. Destruiu grande parte do circo até que libertou Arkan para juntos voarem para longe, com certeza indo se juntar aos cruéis “Aventureiros”. Segundo pude apurar, esse dragão era o pai de Arkan e estava muito irritado com o filho por se deixar prender assim.

Por aqui ficaremos, grandes amigos, mas voltarei na próxima semana com mais revelações acerca desse grupo de malfeitores que traiu a nobre nação de Yuden e trouxe o pesar de milhares, assassinando covardemente o amado Rei Yudennach II.

Mas não podemos nos deixar abater, meus amigos, porque o Príncipe Regente Mitkov Yudenach III não deixar passar em branco essa afronta. Deixemos o príncipe saber que tem todo nossa confiança e apoio para buscar punir esses frios assassinos, interrompendo sua trilha de maldades.

sábado, 3 de maio de 2014

GAZETA DO REINADO ESPECIAL III: AVENTUREIROS DE ARTON, HERÓIS OU VILÕES?

por Leônidas Stonger

Primeiramente, quero explicar a ausência de Galtan Silversong. O bardo encontra-se nesse momento impossibilitado de continuar escrevendo o especial, em razão de uma estranha doença que o acometeu. Esperamos seu rápido restabelecimento, mas por enquanto ficarei responsável pelo especial e pela reconstrução dos passos dos autodenominados “Aventureiros de Arton”. Possuo larga experiência em comunicação com o público e com marchas pelo Reinado, bem como estou familiarizado com o grupo, que conheci pessoalmente. Portanto, fui a escolha natural para assumir as rédeas dessa importante publicação.

Acredito que a alteração ocorreu em boa hora, em que pese as circunstâncias em que aconteceu, posto que Galtan - pessoa de ótima índole mas ingênuo – foi flagrantemente enganado por esse grupo vil de pessoas que tem a petulância de achar que são os “Aventureiros de Arton”. Como se verá mais a frente, não são nada mais nada menos que uma gangue formada por indivíduos perigosos e malignos que desejam apenas o sofrimento do povo de Arton em benefício próprio. Para atingir sua infame sede de riqueza e fama, não respeitam instituição, país, velhos ou crianças; não hesitaram um segundo em enganar Galtan para que o mostrassem como heróis nessa edição e, não duvidem, devem ser responsáveis pelo grave mal que acometeu o bardo. Aconselho a qualquer pessoa a ter a máxima de cautela ao vistar qualquer membro de seu afamado grupo, principalmente os dois líderes que ainda estão à solta – Set e Rui Escandinavo. Não confiem jamais em tal bando de crápulas, e entrem imediatamente em contato com o governo de Yuden. Informações sobre o paradeiro desses bandidos será bem recompensada.

Passaremos a olhar para a história desse bando de vilões não utilizando as provas plantadas e compradas que ludibriaram Galtan. Teremos como fontes testemunhas seguras,  respeitados indivíduos que tiveram o desprazer de presenciar as atrocidades cometidas por esse grupo de marginais. Obviamente, em nenhum momento os “aventureiros” buscaram evitar a vinda de Sartan a Arton, como narrado anteriormente; queriam, isso sim, trazer o antigo deus do mal ao mundo graças a um pacto firmado com sangue por Set e os demais. Nesse pacto, os quatro líderes do grupo dividiriam Arton entre si, enquanto o seu sinistro senhor conquistaria a liderança do panteão. Felizmente, graças ao esforço combinado de tropas de Yuden, lideradas pelo general Smith, o plano foi impedido na Vila do Dragão.

Nessa edição, todavia, nos prenderemos aos fatos que aconteceram após o grupo retornar a Malpetrim em fuga das tropas de Yuden, fatos estes que não deixam dúvida das intenções malignas dos “Aventureiros de Arton”.

O ENCONTRO COM VECTORIUS

O retorno do grupo a Malpetrim coincidiu com a passagem da cidade voadora de Vectora pela cidade.  Os aventureiros decidiram ir até o famoso mercado, mas antes fizeram contato com uma medusa que desejava atacar um grupo conhecido como o Grêmio dos Médicos Monstros, uma vez que estes teriam prendido uma outra criatura da mesma espécie.

Como se sabe, o Grêmio tem como objetivo melhorar diversos aspectos humanos utilizando partes dos corpos de criaturas monstruosas, como asas de um gárgula ou a cauda de um escorpião gigante. A técnica é controvertida, uma vez que é difícil entender em que um ser humano se tornaria melhor utilizando partes do corpo de criaturas repugnantes, mas não se pode negar que a atividade dos médicos diminui a quantidade dessas criaturas nefastas que não deveriam sequer existir. Dessa forma, tem autorização para exercer sua atividade em diversos países, como em Yuden.

Em Vectora existia uma sucursal do Grêmio há muitos anos, se não autorizada expressamente por Vectorius, no mínimo tolerada. Artemis e companhia, entretanto, na primeira visita a cidade, já se aliaram a medusas, criaturas sabidamente malignas, para atacar o local e matar as pessoas que ali laboravam. Foi o que tentaram fazer, mas, por sorte, os integrantes conseguiram fugir antes de serem assassinados pelos vilões, que invadiram a sede sem qualquer parcimônia. A milícia da cidade rapidamente entrou em ação para tentar evitar o massacre, mas os “heróis” de Arton ainda tiveram tempo para exterminar todas as criaturas que ali estavam presas, inclusive a própria medusa que supostamente iriam “salvar”. O capitão da milícia não pode conversar com a Gazeta, mas o Sargento Pietro, que deteve os pcs, conversou longamente comigo e ressaltou que ainda acorda à noite sobressaltado com a frieza do grupo: “Ficamos estarrecidos. Estarrecidos. Após cercarmos o local e deixarmos claro que não havia como os bandidos fugirem, eles ficaram descontrolados e começaram a matar todas as criaturas. Artemis usava sua espada sem piedade, matando uma por uma, enquanto set gritava que queria o sangue delas para rituais demoníacos. Rui se divertia cantando uma melodia arrepiante, observando Artemis, por fim, decapitar um gorila”.

Senhores, todos sabem que não podemos apoiar monstros. Mas decapitar cruelmente um gorila indefeso, uma criatura que poderia estar sendo usada para exercer trabalhos pesados, dando descanso a um trabalhador honesto, é revoltante. Felizmente o grupo acabou por ser preso pela milícia, com a ajuda de um dos conselheiros da cidade, e levados até Vectorius em pessoa.

O mago não se deixou enganar pela língua venenosa de Set e foi desacatado por Rui.  Expulsou então os vilões, utilizando para tanto uma lufada de vendo para jogá-los das bordas da cidade voadora. Pena que Lorde Vectorius não tenha simplesmente aniquilado o mal pela raiz ou prendido imediatamente o grupo. Muito mal seria evitado.

Saliente-se que Ace não estava presente nessa apresentação a Vectorius, uma vez que havia morrido na batalha contra os seguranças do Grêmio dos Médicos. Mas, infelizmente, espada sem fio demora mais a enferrujar, como dizem em Kannilar.  Por ser um devoto de Thyatis, ou de deuses sombrios, segundo alguns, Ace não pode morrer por meios normais, tal qual os vilões que povoam os contos para assustar as crianças. Dias depois da sua morte, ele sempre surge novamente em Arton para continuar sua trilha de sangue e dor.

Existem ainda algumas vozes que dizem que os “aventureiros” desejavam libertar os monstros, e que estes foram mortos pelos membros do Grêmio, antes da fuga. Amigos, não se deixem enganar por tal mensagem enganosa. Tais mentiras são espalhadas por uma Elfa do Ar chamada Lili, que vive na cidade, mas eu descobri que ela recebeu incetivo monetário dos vilões para apagar a culpa deles no evento. Além disso, trata-se de uma elfa, raça covarde que perdeu seu território para meros globins, não merecendo sua palavra o menor crédito.

A ALIANÇA COM CAMALEÃO E COM UM DRAGÃO NEGRO. O EMBRIÃO DE UM REGICÍDIO.

Já em Malpetrim, o grupo teve o contato com o notório assassino conhecido como Camaleão. O encontro se deu na Taverna do Macaco Caolho, e foi presenciado por um antigo morador da cidade, um distinto senhor que, por puro acaso, escutou grande parte da conversa:

“Um deles falou que podia ser chamado de Camaleão. E começaram então a conversar. Trocaram muitas histórias sobre assassinatos e sequestros de pessoas em troca de dinheiro. Então, um homem que possuía uma capa cinzenta (Artemis), perguntou se eles não queriam ganhar dinheiro de verdade. Então propôs o assassinato de um rei, o rei de Yuden”.

O plano, então, começou a germinar. Uma das primeiras providência foi buscar o auxílio de um dragão negro chamado Arkan, o mesmo que Set já havia usado para voar até a Ilha da Caveira e para enganar Aleph olhos vermelhos. Durante meses o grupo permaneceu no covil do monstro, em fortuna, próximo a cidade de Luvian. Lá ficou combinado que Camaleão roubaria a espada de Kalmyr no reino dos anões Doehrimm, e para isso se infiltraria na comitiva do Rei Thormy que visitaria o local. Enquanto isso, o restante do grupo também entraria para o seleto grupo que defende o rei, colocando-os em posição de matar o rei de Yuden, que já confirmara presença da festa do dia do Reencontro, em Valkaria.

Obviamente, o grupo diz que na verdade foram presos por Camaleão e levados ao dragão, permanecendo presos por meses em sua caverna, pendurados em gaiolas suspensas, sofrendo torturas terríveis. Mas uma vez Set e seus amigos tentam enganar o povo de Arton e alterar os fatos. As testemunhas ouvidas bem como todas as evidências não deixam dúvidas de que, desde início, houve um acordo entre essas entidades malignas para retirar a vida do senhor da guerra de Yuden.

Outra prova de que o grupo é realmente nefasto, foram os diversos ataques feitos por Arkan à cidade de Luvian neste período. Não passou uma semana sem que o dragão sobrevoasse a cidade e espalha-se seu sopro de ácido sobre as casas do honestos trabalhadores, tudo a mando de Set, que parece ter um poder especial sobre a criatura. Nem neste período de preparação para o grande plano a sede de sangue do necromante não ficou adormecida. Segundo o prefeito de Luvian, mais de 100 pessoas foram mortas durante esses ataques.

O poder de fogo do dragão não era suficiente, entretanto. Os “Aventureiros” queriam mais. Ace teve a ideia de chamar um antigo amigo, o conhecido bandido conhecido como Vulkar, o carniceiro, responsável pela morte, tortura e estupro de centenas, quando era um lorde em Dheon. Usando uma máscara de ferro, e com o codinome de Flavius, o Carniceiro foi até a praça central de Luvian e fez um discurso animando todos a irem até o covil da criatura e matá-la. Apenas uma armadilha: todos que lá foram encontram somente a morte nas garras e no ácido da criatura.

Após agradar bastante o deus da morte, Babul, o verdadeiro grupo do mal resolveu ir até Dheon, executar o regicídio. Antes, entretanto, ainda fariam novas maldades. Aguarde a próxima edição especial da Gazeta, que agora passa a ser semanal.

Antes, apenas mais um recado: também estou responsável pela edição normal da gazeta, que trás as notícias atuais de todo o mundo de Arton, no momento à beira de uma guerra em razão da proteção que o reino de Yuden e, mais recentemente, Petrynia, oferecem aos assassinos do senhor de Yuden.

Força e disciplina a todos!

GAZETA DO REINADO ESPECIAL II: AVENTUREIROS DE ARTON, HERÓIS OU VILÕES

por Galtan Silversong

Apesar de todas as dificuldades, este enviado especial continua se esforçando para trazer aos leitores da Gazeta as aventuras e desventuras do grupo de heróis mais controvertido do momento. Aqueles preocupados com meu bem estar, principalmente por conta dos boatos recentes, asseguro que sobrevivi ao incidente(1) e estou pronto para mais uma episódio da Gazeta do Reinado: Aventureiros de Arton, Heróis ou Vilões?

Em nosso último número, vimos como Set, Ace, Artemis e Rui Escandinavo recuperaram a primeira parte do disco dos três na Ilha da Caveira, próximo de Galrasia. O artefato está ligado ao antigo deus profano Sartan, e o grupo de aventureiros busca juntar todas as suas três partes. Difícil entender, entretanto, se para trazer o antigo mal de volta a Arton ou impedir tal retorno. No final do desta número, entretanto, temos a solução para tal questão.

De qualquer forma, o grupo partiu de Malpetrim para as Tumbas Sagradas, localizadas ao norte de Petrynia. Mas a viagem, já perigosa em si mesmo, não foi destituída de surpresas....

UM ENCONTRO INESPERADO

Aleph, de olhos vermelhos, é figura bem conhecida do grande público. Mago de enorme poder e amigo pessoal da própria deusa da magia, Aleph dificilmente estaria em uma situação em que precisasse da ajuda de alguém, que dirá de um grupo de aventureiros novatos. Mas o fato é que surpreendentemente foi auxiliado pelos Aventureiros de Arton.

“São realmente boas pessoas”, disse o mago em sua mansão no Monte Belo, norte de Valkaria. “Estava  na floresta na ocasião e bem, aproveitava a vista. Nesse momento fui atacado por um vil  dragão negro. Poderia acabar com ele em um instante, claro, mas, bem, tinha acabado de ver uma espécie de rosa rara e não queria perder a oportunidade de contemplá-la só por causa de um dragão. Set e os demais chegaram, juntamente com um grupo de centauros e afastaram o réptil. Foram bem gentis”.

Aleph deixou bem claro que não precisava de ajuda, mas gostou do gesto dos aventureiros, tanto que resolveu recompensá-los. Em relação as acusações de Yuden sobre o grupo, Aleph olhos vermelhos foi bem enfático: “Não passam de tolices. Poucas vezes vi jovens tão puros de coração e tão interessados em ajudar os outros como aqueles”.

Sobre a tribo de centauros, este destemido escritor teve acesso aos mesmos, embora tenha escapado por pouco das lanças das criaturas. Tive o prazer de conversar longamente com Odara, líder clériga centaura da aldeia. Ela narrou como o grupo de aventureiros recuperou um antigo e poderoso Totem da tribo que estava em poder de uma grande comunidade de kobolds, criaturas que guerreiam com os centauros há séculos.

“Não conheço esse Yuden”, afirmou a adorável jovem, “Mas ele está enganado. Os aventureiros que aqui estiveram são bons de coração. Principalmente Ace, que compartilha meu amor pelos animais”.
Após viver essas aventuras - inclusive espantar um dragão negro! - o grupo seguiu para norte, para as tumbas sagradas, mas não sem antes deixar sua marca na simpática aldeia de centauros.

TUMBAS SAGRADAS

Não constam incidentes até a tumba utilizada pelos antigos deuses do bem para o repouso da carne de seus campeões. Na tumba propriamente dita, o grupo encontrou um desses campeões do passado, que atrasava seu merecido descanso cuidando de uma das partes do disco. Tratava-se de mais um Guardião deixado pelos deuses para proteger o artefato com sua vida. Todavia, segundo apurou este bardo que vos fala, não foi preciso o uso de armas ou magias de ataque no encontro. Ace e seus amigos conseguiram convencer o guardião que estavam em missão sagrada e, principalmente por estarem com um clérigo de Kalmyr, Deus da Justiça, conseguiram convencer o guardião a entregar a peça.

Embora não possa revelar a localização da Tumba, lá estive em minhas investigações a respeito dos aventureiros. Qual não foi minha surpresa ao encontrar o referido clérigo, um vigoroso anão chamado Tordek, exercendo atualmente a função de guardião. Após convencê-lo de que não era um partidário de Sartan e nem desejava o disco, Tordek narrou como enfrentaram armadilhas na tumba e conseguiram a peça, encontrando inclusive um grande prêmio em ouro. À respeito do grupo, elogiosas foram suas palavras, embora tenha me alertado sobre Artemis “mantenha sempre a mão no fecho da bolsa ao seu lado!”.

Obtida a segunda parte do artefato, um dilema surgiu: deveria o grupo ir diretamente as Cavernas Sombrias, nas montanhas uivantes, ou retornar até Malpetrim? Como estavam às portas do inverno, decidiram voltar a cidade costeira e se preparar para a rigorosa viagem à região gelada do reinado, retornando inclusive  a Casa de Aventureiro e a comerciante Janaína, que os vendeu vestimentas apropriadas aquela localidade.

“Estavam mão fechadas como sempre, mas realmente compraram muita coisa. Set me convidou para jantar, mas é claro que não aceitei, pois não ficaria bem à uma dama, o que diria minha mãe”, informou a jovem, antes de suspirar baixinho que “o Rui não me convida!”

Conforme relatou Janaína, eles desejavam trasporte marítimo até as Três Cachoeiras, pelo rio Kaerunir. O objetivo do grupo era se aproximar o mais rápido possível das Uivantes, tendo em vista que o prazo para o retorno de Sartan estava se esgotando. A jovem chegou a cotar o preço com alguns navios que percorrem o grande trecho fluvial, mas acabou presenciando o encontro entre o grupo e um clérigo de Nimb chamado Malcom, que ofereceu o transporte, o que foi aceito pelo grupo. Esse clérigo terá um papel primordial nos próximos eventos da aventura.

Antes de viajarem, entretanto, apurou este repórter que os Aventureiros foram atacados por um grupo de clérigos de Sartan na famosa estalagem do Macaco Caolho Empalhado. Teriam inclusive salvado Petra, uma simpática cozinheira do estabelecimento. Em um jantar agradável, preparado por ela mesma, Petra relatou como foi pega no fogo cruzado entre os clérigos e os Aventureiros de Arton, que a salvaram (2).

CAVERNAS ESCURAS

A primeira parte da viagem transcorreu sem acidentes, pelo menos do ponto de vista de ataque por monstros (o pior que aconteceu foi o avistamento de alguns observadores quando o barco passava pelo vale que tem o nome dessa espécie de criatura maligna). Entretanto, a tensão no navio era visível, uma vez que todos os aventureiros perceberam que havia algo errado com a tripulação, que trabalhava quieta e taciturna (3). Também notaram a existência de um estranho baú no porão, muito bem guardada pelos marujos e pelo próprio capitão da embarcação. Até Malcom, embora tentasse ser agradável, também era objeto de desconfiança do grupo.

O grupo desembarcou nas Três Cachoeiras, lugar de extrema beleza e famoso por ser ali que o grande Cyrandur Wallas, fundador de Petrynia, lutou contra o gigante de três cabeças. É claro que essa é uma história de Petynia, e o mais provável é que Cyrandur tenha lutado com um anão que sofria de tumores nos ombros, mas o fato é que o lugar é realmente belíssimo, mas perigoso, principalmente por sua proximidade com o vale dos observadores.

O combinado seria que o navio esperaria o grupo e Malcom durante uma semana. Malcom não deu maiores explicações do porquê queria viajava até as Cavernas Escuras, mas o grupo entendeu que a aliança temporária com o clérigo seria vantajosa.

Após alguns dias de travessia pelas geladas Montanhas Uivantes, acabaram por encontrar a Caverna. Ali grupo enfrentou o último guardião, uma quimera formada por partes de estranhos animais, uma criatura oriunda na mais louca mente de conjuradores malignos da aurora de nossa época. Os aventureiros venceram a luta, mas não sem a baixa de vários de seus membros, entre eles o pequeno Bilbo, que hoje continua enfrentando monstros terríveis no reino de Megalockk.

O grupo tinha todas as partes do disco, mas não contavam com a traição de Malcom. Aproveitando-se da confusão gerada com a batalha, roubou o artefato e soterrou o grupo dentro das Cavernas, utilizando magias que não deixaram dúvida de sua verdadeira natureza: trava-se do sumo-sacertode de Sartan, e lutava para trazer seu maligno mestre ao mundo mais uma vez.

VILA DO DRAGÃO

Presos, cansados e com companheiros mortos. Parecia não haver esperança para os  Aventureiros de Arton e para a própria Arton, uma vez que o retorno de Sartan parecia certo. Foi então que Ace lembrou-se do poderoso mago de olhos vermelhos que haviam encontrado algumas semanas atrás.

“Como gostei do grupo, prometi que teriam direito a uma ajuda minha em qualquer situação em que estivessem em dificuldades. Um magia simples, mas que se mostrou de grande proveito para eles. Pronunciaram meu nome e eu me teleportei. Retirá-los da montanha foi muito fácil para uma mago com minhas habilidades”, contou Aleph Olhos Vermelhos. 

Graças ao poderoso conjurador, os Aventureiros puderam sair da Caverna. Imediatamente se puseram à caminho para a embarcação em Três Cachoeiras, visto que não possuíam outra pista do paradeiro de Malcom. A travessia de volta, entretanto, não foi tão simples quanto a ida.  

O inverno já tinha iniciado e a viagem pelas Montanhas Uivantes foi árdua, mesmo com todo o equipamento fornecido pela Casa dos Aventureiros. Após alguns dias de caminhada e algumas lutas com criaturas da região gelada, o grupo estava em fragalhos e perdido. Acabaram por se separar, tendo Ace se perdido em razão do feitiço lançado por uma serpente das neves, que tomou uma forma de uma jovem para seduzi-lo.
Por milagre divino, o grupo foi encontrado por caçadores da aldeia de Giluk. Os bárbaros do gelo não são conhecidos por sua delicadeza ou hospitalidade, mas parece que o grupo ganhou o respeito dos nativos. Deles receberam ajuda e orientação e talvez, no caso de Set, bem mais do que isso. 

Esse enviado apurou que, embora todos tenham dormido na tenda comum, o mago do grupo teve um tratamento especial de Raposa Cinzenta irmã do chefe, e dormiu em sua tenda. Set e o grupo foram embora no outro dia pela manhã e não mais voltaram, então talvez o controverso aventureiro não saiba do menino de quase dois anos, com olhos brilhantes, que Raposa Cinzenta carregava nos braços durante a visita desde despretensioso bardo...

Já de volta à Petrynia, nas Três Cachoeiras, o grupo encontrou o navio ancorado, sem ninguém à vista no convés. Desconfiado, e talvez ainda sofrendo de alguma desorientação por conta dos dias passados na neve, Ace soltou as amarras do navio. O grupo deixou o navio se afastar um pouco, até que perceberam que o melhor era procurar o que havia dentro dele.

“Tudo bem que eu sou só um fantasma, mas foi burrice mesmo. E ele ainda queria colocar fogo em tudo!”, asseverou o Ranger que me relatou esse trecho da aventura (4).

De qualquer forma, os aventureiros decidiram ir até o navio e foram atacados por criaturas humanoides com corpos negros e longos tentáculos no lugar dos membros superiores. Tais criaturas estavam disfarçadas de marujos do navio, e foram deixados por Malcom como uma armadilha, caso Set e os demais conseguissem escapar. A batalha foi árdua, mas o grupo saiu vitorioso, apesar das grandes perdas (5).

Após a batalha, o navio estava livre para ser investigado. Foram encontradas cartas que apontavam uma pequena vila a noroeste de Petrynia, chamada de vila do dragão, como o provável local onde seria realizado o ritual para trazer Sartan de volta a Arton. Mas ainda havia um lugar para ser explorado no navio: o grande baú tão protegido pelos marujos anteriormente.

Coube a Artemis a coragem de abri-lo e de primeiro se surpreender com seu conteúdo. O báu era mágico, possuindo dentro dele um pequeno quarto onde permaneciam dois prisioneiros. Cormier Lattas, um verdadeiro clérigo de Nimb, e seu amigo invisível Jhon. Foi a identidade dele, não obstante a manutenção do nome, que Malcom roubou para manter o disfarce.

Com a indicação da pequena vila, para ali se dirigiu o grupo, que teve uma viagem conturbada, sofrendo quando acordados pelo ataque de monstros e quando dormindo por sonhos insistentes e premonitórios (6).

A vila se mostrou um lugar abandonado. As poucas casas estavam caindo aos pedaços, repletas de teias de aranha. Nenhuma viva alma foi vista. O grupo sentia que já tinha estado naquele local, e estavam tão nervosos que até o silêncio fazia sua pele eriçar. O maior prédio da vila era a igreja, feita de largas pedras cinzentas empilhadas, também em ruínas. Os Aventureiros, entretanto, de alguma forma sabiam onde ir; encontram uma passagem secreta em um dos aposentos semidestruídos A passagem os levou até o subterrâneo da igreja, construção que parecia ser muito mais antiga que ela (7). 

Um túnel comprido aguardava os herois, terminando em uma aposento gigantesco e alto. Duas enormes escadarias desembocavam em um tipo de altar. Parecia ser um antigo local de adoração a Ssaazzs, o amaldiçoado deus a traição,  a julgar pelas marcas nas paredes e pelas diversas esculturas de serpente. Naquele momento parecia estar ocorrendo uma espécie de culto profano, com fiéis entoando mantras animados por um sacerdote no altar. 

O grupo atacou com rapidez e força, mas tudo não passava de uma armadilha de Malcom, que os aguardava. Enquanto Artemis e os demais atacavam bonecos disfarçados com mantos negros, o sumo-sacerdote de Sartan utilizou de artes das trevas para imobilizar Set e levá-lo para dentro do templo. Para isso, conjurou nefastas Harpias negras que agarraram o mago. Os outros eram atacados por asseclas de Malcom e por um antigo aliado, agora transformado em morto-vivo pelos poderes negros do sacerdote. Trava-se de Ruffus, ex-paladino de Kalmyr. Com olhos perdidos, o homem atacava o grupo com um magual de três pontas de considerável poder mágico.

A luta foi dura, mas os Aventureiros conseguiram se livrar dos inimigos e destruir Ruffus (8), mas não a tempo de impedir a fuga de Malcom. Ele colocou o Set em um altar de sacrifícios e iniciou o ritual para o retorno de Sartan. Um enorme portal circular se formou no extremo norte da sala, e dali surgiu a imagem do deus do mal, sua face avermelhada repleta de vermes de todos os tipos, entrando e saindo da carne.  E ele cada vez mais se aproximava....

Malcom então revelou a Set toda a verdade: era ele o ancião que juntara o grupo em Malpetrim, meses atrás. Teria feito isso porque cada um do grupo seria necessário para juntar as pesas do disco, artefato essencial para o retorno de Sarta. Set também teria sido chamado a este mundo simplesmente para servir a tal propósito. 

Preso, a Set não cabia mais do que rezar. Mas isto funcionou, porque nada mais nada menos que Neruite, a deusa do sono, surgiu para defendê-lo. Por um instante pareceu que ela derrotaria Malcom e salvaria Set, mas então Sartan, já bem próximo de Arton, agiu. Utilizou seu poder para transformar a deusa do sono em pedra.

Por um instante tudo estava perdido; no último segundo, entretanto, quando a visão de Sartan já trazia a loucura à mente de Set, o restante dos Aventureiros chegou à sala e conseguiu libertar o mago. Ace pegou o disco dos três, agora uma peça única e, após algumas tentativas embaraçosas, conseguiu lançá-lo para dentro do portal. Encantamentos antigos então tiveram efeito, impedindo mas uma vez o retorno do deus do mal a esse mundo. Malcom, seu sumo-sacerdote, foi sugado pelo portal antes que o mesmo fechasse, e deve estar nesse exato momento explicando ao seu deus a falha nos planos tão meticulosamente preparados...

O que aconteceu depois é nebuloso para este repórter, uma vez que a magia do disco expulsou todas as criaturas extraplanares, impedindo que qualquer um dos espíritos que me serviram de informantes presenciassem o que ocorreu (9). Levando em conta, entretanto, o testemunho de um “comerciante de castiçais” de Malpetrim, que diz ter ouvido de Artemis a história na taverna do Macaco Caolho Empalhado, Neruite continua petrificada no templo, o que estava “quebrando o coração de Set”. O grupo também encontrou coisas muito estranhas no local, como seus próprios cadáveres conservados em caixões de pedra e uma enorme estátua de um dragão, rodeada por milhares de tochas que nunca apagavam. As peças do disco dos três foram novamente escondidas, servindo inclusive o anão Tordek como guardião de uma das peças, na tumba sagrada (10). Os herois retornaram a Malpetrim e receberam do clérigo de Nimb um presente dos deuses – um medalhão que permitia a cada um deles um desejo. Artemis exibia com orgulho uma capa negra mágica que supostamente havia recebido com seu desejo (11).

Com estas palavras, encerro mais este capítulo da série Aventureiros de Arton, mas antes sindo que devo uma explicação. A proposta desses especiais é jogar luz sobre a vida dessas pessoas que estão abalando todo o reinado e decidir: são herois ou vilões? Apos ter reconstruído tão importante saga e ouvido tantas pessoas que estiveram com o grupo, creio que tenha formado a minha opinião. Afastar Sartan deste mundo, impedindo que o deus do mal novamente andasse sobre Arton salvou a vida de milhares. O ato necessitou tal dose de coragem, força e perícia que é de espantar que aventureiros inexperientes tenham aceitado a missão, que dirá tenham obtido sucesso.  A única explicação é que sejam indivíduos abençoados pelos deuses, destinados a grandes feitos e dotados de virtudes únicas que os distinguem dos demais homens. Se são herois? Não. São maiores que herois, em um patamar que não possuo palavras para descrever. Somente deixo, se algum dia algum deles chegar a ler essas apressadas linhas sem estilo, meu muito obrigado (12).

NO PRÓXIMO NÚMERO: O ENCONTRO DOS AVENTUREIROS COM VECTORIUS E O RETORNO DO DRAGÃO NEGRO.

Conheça como realmente ocorreu o famoso encontro entre Vectorius e os Aventureiros de Arton, expulsos de Vectoria pelo grande mago! O grupo se torna ainda alvo do maior assassino de Arton, o Camaleão em pessoa, que os levam até Arkan, o dragão negro que foi derrotado pelos herois. Não percam mais um capítulo dessa incrível saga!


(1) Minha incursão ao reino dos elfos do mar, apesar de agradável em certos aspectos, não acabou bem. Parece não entendem o conceito de “liberdade de imprensa” nos reinos submarinos, e perdi alguns dedos até convencê-los que não sabia o paradeiro de Ace. Felizmente, em meu retorno a Malpetrim, consegui uma boa clériga de Lena que recuperou meus doze dedos perdidos.

(2) Embora eu não seja um crítico culinário, acho por bem avisar ao leitor que, se forem até a estalagem, não deixem de conversar com a agradável Petra mas, para comer, prefiram o assado preparado pela mulher do taverneiro.

(3) Tendo em vista a ausência de informantes acerca desta parte da jornada, este esforçado desvendador de mistérios teve que usar magia para conversar com o espírito de um marujo halfling chamado Bilbo, morto em uma das lutas dos Aventureiros. Bilbo afirmou que Artemis era o mais desconfiado, e afirmava sem cessar que não podia confiar em pessoas que pareciam não ligar para ouro, o que era o caso da tripulação daquele navio.

(4) Como Bilbo já havia morrido, tive que encontrar outra fonte para me narrar o que ocorreu após a derrota do último guardião. Consegui conversar com o espírito de Aesir, um ranger que também morreu em batalha como aliado dos Aventureiros. Aliás, refazer os passos dos quatro aventureiros permanentes do grupo é topar com o corpo de diversos aliados que morreram em lutas ganhas por muito pouco.

(5) Nessa batalha Aesir morre e, segundo boatos não confirmados, também Ace. Nesse momento, entretanto, ele já havia se tornado um servo de Tyatis, em razão de ter poupado um inimigo. Passou a conta com um poder valioso: o dom da imortalidade.

(6) Segundo Cormier, o grupo foi atacado por cobras que voavam e atacavam com ferrões, baleias terrestres que soltavam esguichos de ácido negro e até por coelhos raivosos que desejam copular. Sobre os sonhos, foi relatado que o grupo costumava ver a vila para onde estavam indo em sonho, bem como mundos onde rios corriam para cima das montanhas, essas estavam de cabeça para baixo e existiam dados no tamanho da estátua de Valkaria, bem como peças de xadrez gigantes que se ovimentavam sozinhas e esmagavam o jogador caso este perdesse. Tendo em vista as disparidades do relato, deixou ao leitor o direito de acreditar ou não na ocorrência de tais situações.

(7) Este repórter chegou até a vila mas não conseguiu encontrar a porta secreta indicada. Um incidente com os guias que havia contratado (simplesmente sumiram durante a única noite que dormimos na cidade), bem como os indicativos da presença de mortos-vivos no local, também atrapalharam e obrigaram meu retorno prematuro.

(8) Toda esta parte da aventura foi narrada pelo espírito de Ruffus a esse enviado. Felizmente, o mesmo se encontra atualmente no reino de seu Deus, em paz, mas ainda trás no rosto a dor que sentiu por ter sido obrigado a ajudar o grupo de clérigos maléficos e lutar contra seus antigos companheiros. “E eles nem ligaram para o mangual mágico”, lastimou-se o antigo paladino. ´”é uma arma de bom nível de poder, cujas bolas de ferro atacam de forma independente”.

(9) Curioso que Set, um ser extraplanar, não tenha sido expulso pelo disco. Esse bardo, até por não ser um estudioso tão aplicado das relações entre os planos, não tem resposta para isso.

(10) Tal fato foi confirmado por mim pessoalmente.

(11) Não posso afirmar que todas essas alegações sejam realmente verdadeiras. O “comerciante de castiçais” estava completamente bêbado em todas as vezes que o vi (e eu tentei variar os horários!). Fui também informado que na verdade ele não comercializa somente castiçais, mas também produtos de procedência obscura. Fica a ressalva.

(12) Com essa tomada de posição, desprezei todos os relatos que afirmam que Set seria na verdade o sumo sacerdote de Sartan e que buscaria o seu retorno, bem como Malcom seria um heroi tentando impedi-lo. Não dei atenção também aos senhores que me procuraram afirmando terem sido atacados por Ace e Set, os quais teriam tentado arrancar seus corações para usá-los no ritual. Tais depoimentos se mostraram contraditórios e contrários aos fatos levantados, bem como invariavelmente tais testemunhas pareciam ter uma grande quantidade de ouro cunhado com a face do príncipe Mitikov.